Nova Laranjeiras

Edson MazzettoEmergênciaO prefeito José Gomes e o deputado Nereu Moura observam a destruição nas ruas de Nova LaranjeirasA cidade de Nova Laranjeiras, no Centro-Oeste do Paraná (350 quilômetros a oeste de Curitiba) foi praticamente destruída, pelo menos três pessoas morreram e dezenas ficaram feridas durante vendaval (ventos acima de 120 quilômetros por hora) por volta das 17 horas de anteontem. Poucas das 600 casas ficaram intactas. Houve saques nos escombros. O vendaval durou cerca de 3 minutos.‘‘Parecia uma navalha, decepando tudo’’, disse uma moradora, apontando para as construções destruídas e uma vasta área onde havia árvores nativas, que foram quebradas ou arrancadas.
Até o início da tarde de ontem havia a confirmação de três mortes - Claudionor da Silva, 15 anos, o mecânico Celso Nunes, 40, e a dona-de-casa Martina Mucillini, 65 anos. O Sérgio Gonçalves, da PM de Guarapuava, que comandava as ações da Defesa Civil, disse ser difícil estimar o número de feridos e se havia mais mortos, porque ainda na manhã de ontem pessoas eram resgatadas de escombros e havia muitos desaparecidos. Cerca de 250 pessoas foram transferidas para um centro comunitário em Guarapuava. Cem policiais e duzentos voluntários foram mobilizados pela Defesa Civil para socorro.
Nova Laranjeiras, município criado há 7 anos, à margem da BR-277, e com economia baseada na agricultura de minifúndios, tem 17 mil habitantes (2,5 mil na cidade). O prefeito José Lineu Gomes (PMDB) disse: ‘‘A economia do município está acabada. Mas temos é que agradecer a Deus porque o povo sobreviveu’’.
Edson MazzettoPerdas e danosCasas e carros atingidos pelo vendaval na cidade: estrago geral, clima de desespero e mortes
O deputado Nereu Moura (PMDB) esteve na localidade, e disse que a Assembléia Legislativa formará comissão ‘‘para ajudar a reconstruir a cidade’’. Segundo o deputado, ‘‘não se sabe de destruição tão grande no País, em termos de fenômeno semelhante’’. Gomes e Moura mostravam sinal de choro, nos olhos, assim como a maioria das pessoas de Nova Laranjeiras, horas depois do vendaval.
Nadir Chofranski, 55 anos, dona de um bar, conta que havia oito homens e duas crianças no estabelecimento, ‘‘quando começou a estourar tudo e as mesas voaram’’. As pessoas se seguraram em uma coluna de concreto, para não ser arrastadas pelo vento. Marli Santos Boeira, 23 anos, estava em casa, com a filha de 2 anos. ‘‘Vi tudo antes de minha casa cair’’, conta. Marli relata: ‘‘Eu via o mundo acabando. Fiquei desesperada porque pensei que tinha gente morrendo e eu não podiaa fazer nada. Prefiro morrer do que ver isso acontecendo outra vez.’’

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