NASIRIYAH, Iraque, 23 (AE-REUTERS) - Autoridades no Sul do Iraque negaram hoje (23) notícias de um levante muçulmano xiita na região depois do assassinato de um clérigo xiita, e a vida parecia continuar com normalidade na maior cidade de Nasiriyah.
Abdel-Baqr Saadoon, membro do governista Partido Baath para as províncias de Dhi-Qar e Basra, enfatizou a posição do governo enquanto em frente de um sala de convidados à beira de um rio ladeada por murais do presidente iraquiano, Saddam Hussein.
"Nada aconteceu e nada irá acontecer", disse ele a jornalistas levados à esta cidade iraquiana a cerca de 380 km a sudeste de Bagdá.
Pelo menos em Nasiriyah, ele parecia estar correto sobre a questão de rumores sobre um recente levante nas províncias sulistas.
Grupos de oposição iraquianos no exílio afirmaram que distúrbios haviam explodido em todo o Sul do Iraque depois do assassinato na sexta-feira do popular clérigo xiita Grade Aiatolá Mohammad Mohammad Sadeq al-Sadr e seus dois filhos.
Em Teerã, o xiita Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque (SCIRI) anunciou num comunicado datado de domingo que 18 pessoas haviam sido mortas na cidade de Dhi-Qar, em Nasiriyah.
Segundo o grupo, a cidade havia saído do controle governamental e estava sendo cercada e bombardeada por forças governamentais. O SCIRI também garantiu que houvera confrontos na governança de Babel e cerca de 300 mortos num distrito de Bagdá.
Estas notícias de confrontos parecem ser inverídicas pelo menos nesta cidade de 400.000 habitantes. Multidões de iraquianos eram vistos em cafés nas calçadas ou rumando para o mercado central para fazer compras.
Clientes esperavam sua vez nas barbearias. Crianças carregavam livros escolares e padarias aprontavam pães quentes. Mecânicos empurravam pneus velhos pelas ruas ou tentavam dar partida em motores de carros, uma tarefa que segundo eles não é fácil devido à falta de peças de reposição devido às sanções econômicas da ONU contra o Iraque.
Muitas das modestas construções de tijolos ou blocos de concreto da cidade pareciam mais desgastadas e desmoronando por causa da idade e falta de manutenção do que por ter sido recentemente bombardeadas.
Não parecia haver uma forte ou incomum segurança. Grupos reuniam- se à vontade nas ruas, onde guardas de trânsito muitas vezes permaneciam com suas mãos nos bolsos.
A única figura tomando conta da praça era uma estátua do poeta iraquiano do início do século 20 Mohammad Habooby.
"Não houve qualquer manifestação aqui. Eu não teria medo de dizer a vocês se tivesse havido", disse um vendedor de kebab, Salah Saeed, cuja loja fica de frente para a praça.
O governo iraquiano oprime os xiitas? "Pelo contrário", afirmou Umm Sufyan, coberto dos pés à cabeça com um chador. "Conversa de manifestações é tudo mentira".
Jornalistas não tiveram permissão de andar livremente pela cidade e foram acompanhados por autoridades do Ministério de Informação iraquiano. Mas as autoridades não intervieram nas entrevistas e não escolheram as pessoas com quem podia-se falar nas ruas.
Jornalistas não tiveram permissão de viajar livremente para outras áreas do Sul, onde grupos de oposição iraquianos têm falado de protesto na cidade largamente xiita de Kerbala.
Alguns em Nasiriyah endossaram a visão de Bagdá de que o assassinato de Sadr, o terceiro clérigo xiita morto no Iraque em menos de um ano, foi obra de forças exteriores.
Mas não houve dúvidas de que aqueles em Nasiriyah que falaram com a REUTERS se sentiam molestados. E ao meio-dia isso ficou claro, quando o arrepiante som de sirenes antiaéreas soou uma hora antes do chamado para as orações.
Umm Hanad estava sentada em sua modesta casa nos fundos de uma mesquita sunita quando as sirenes soaram.
"É mentira que pessoas estão sendo atingidas nas ruas", afirmou ela à REUTERS, enquanto sua filha com problemas mentais de nove anos, Alia, escolhia um monte de arroz para cozinhar.
"São os aviões ocidentais que estão atingindo civis inocentes. As mulheres não podem dar à luz e crianças têm defeitos de nascença desde a Guerra do Golfo. Olhe minha filha".
"Nós não precisamos deste tipo de proteção".
Iraquianos dizem que restos de material bélico usado pelas forças aliadas na guerra de 1991 tem causado problemas de saúde na população sulista, que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha afirmam estarem tentando proteger do governo de Bagdá patrulhando um zona de exclusão aérea.
A área de Dhi-Qar foi atingida cinco vezes este mês por aviões de guerra ocidentais.
Muçulmanos xiitas formam 65% dos 22 milhões de habitantes do Iraque. Tem havido constantes notícias de choques entre eles e o regime liderado por sunitas, especialmente no Sul, onde tropas iraquianas esmagaram uma rebelião xiita depois da Guerra do Golfo.
O Iraque afirma que o assassinato de Sadr aponta para um complô destinado a quebrar a unidade entre os sunitas e xiitas do país.
O imã xeque Hussein al-Khafaji, que lidera as orações das sextas- feiras em uma das mesquitas de Nasiriyah, levantou sua voz quando perguntado pela REUTERS sobre divisões entre as duas seitas muçulmanas.
"Minha família é xiita mas eu tenho educação religiosa sunita", disse o clérigo de 29 anos. "Somos interligados".

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