Porto Alegre, 28 (AE) - A Prefeitura de Cruz Alta, distante 341 quilômetros ao oeste da capital gaúcha, decretou hoje estado de emergência no município devido aos efeitos da estiagem sobre à agricultura. De acordo com o prefeito Luiz Pedro Bonetti, a situação compromete o desenvolvimento das lavouras de soja e milho, que compõe a base da economia local. A escassez de chuva começou em novembro, quando as precipitações ficaram em 85 milímetros, 46% inferiores a média histórica do período.
O quadro piorou este mês, quando o volume de chuva limitou-se a 60 milímetros, 56% abaixo do normal, informou o prefeito. A insolação e o calor também têm se mantido muito fortes, com temperatura entre 38º e 40º centígrados nos últimos dias.
Segundo Bonetti, o estado de emergência é valido por 60 dias e foi decretado para "salvaguardar" o interesse dos produtores. Se a situação não melhorar nos próximos dias, o município poderá solicitar créditos emergenciais para a agricultura.
A área destinada à soja em Cruz Alta é de 110 mil hectares (3,6% do total da cultura no Estado), disse o prefeito. Deste montante, 85% foram plantados no período recomendável, até meados de novembro, e ainda restam 5% à espera das sementes. O prefeito não dispõe de um levantamento fechado sobre as perdas, mas afirmou que está ocorrendo "muito replantio" na região.
No caso do milho já há lavouras com perdas de até 100% revelou Bonetti. De acordo com ele, 80% da área de 18 mil hectares da cultura no município já foram semeados. Metade das plantações está em fase de pendoamento ou enchimento de grãos, o que aumenta risco de prejuízos com a estiagem.
Segundo o prefeito, o abastecimento de água potável para a população urbana também começa a ser afetado em Cruz Alta. Nos bairros mais distantes do centro e nas áreas mais elevadas da cidade está faltando água à tarde em função do aumento do consumo provocado pela onda de calor.

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