Cidade deverá entrar em novo ciclo
Cidade deverá entrar em novo ciclo
Foz poderá se transformar em grande centro de negócios, feiras e pólo de transportes
Ney de SouzaPosição geográfica privilegiada é apontada como um dos fatores positivos para Foz do Iguaçu ser destaque entre países do MercosulEdson Figueiredo
Especial para a Folha
Situada numa posição geográfica privilegiada e diretamente influenciada pelas mudanças em curso na economia global, Foz do Iguaçu deverá se transformar, no limiar do século 21, num grande centro de negócios, feiras, eventos e pólo continental de transportes de cargas.
A cidade tem as melhores condições de investimento do Mercosul. Congrega todo o processo hidroviário e, com a Ferroeste, vai congregar também o sistema ferroviário, afirma o prefeito Harry Daijó (PPB). Para o chefe do Departamento de Informações Institucionais da prefeitura, Luiz Carlos Kossar, setores do empresariado já enxergam essa tendência e se preparam para competir dentro do novo ciclo econômico em formação.
Essa também é a opinião do presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Foz, Carlos Tavares, para quem o turismo de compras está com os dias contados e a cidade vai entrar num novo ciclo de desenvolvimento. Tavares é integrante da campanha Turismo Econômico, que é voltada para atrair turistas aos pequenos hotéis da cidade, que antes eram ocupados por compristas de mercadorias paraguaias.
Há necessidade dos agentes econômicos se adaptarem a uma nova situação com o enfraquecimento do terceiro ciclo econômico do município. O chamado turismo de compras teve início com a oportunidade de se poder comprar, com isenção de impostos, produtos importados no Paraguai para revendê-los no Brasil, o que fez circular milhares de sacoleiros na fronteira (os dois ciclos anteriores foram extração de madeira e erva-mate, e a construção de Itaipu, que atraiu mais de cem mil pessoas para o município, a maioria para trabalhar na obra).
Depois da abertura econômica, no entanto, empresários brasileiros passaram a importar mercadorias em condições semelhantes aquelas encontradas pelos comerciantes do Paraguai. Em decorrência da mudança, lojas e shopping de produtos importados e com preços competitivos se espalharam pelo Brasil, enfraquecendo o turismo de compras na região das Três Fronteiras.
Para a prefeitura, a cidade estaria sofrendo as consequências da abertura econômica, porém, resistindo e procurando alternativas para superar os transtornos. Já é possível verificar iniciativas dentro desta nova realidade.
Além dos investimentos do governo do Estado, como a Costa Oeste, obras para os Jogos Mundiais da Natureza, duplicação da BR-277, acompanhamos também a reestruturação dos hotéis, shoppings centers e lojas, afirma Luiz Kossar. Ele destaca que Foz encontra-se no centro hidroviário Tietê-Paraná-Rio do Prata, que une os principais pólos econômicos do Mercosul - São Paulo e Buenos Aires.
A extensão da Ferroeste até Foz do Iguaçu é outro passo importante para a cidade. O governo do Estado já publicou o edital para a contratação da empresa que fará o projeto de engenharia do ramal de 179 quilômetros da ferrovia, entre Cascavel e Foz. Com a conclusão da obra, as cargas que chegarão a Foz pelos rios, poderão ser exportadas pelo porto de Paranaguá.
De acordo com a prefeitura, a localização privilegiada de Foz do Iguaçu - a cerca de mil quilômetros de distância dos principais centros da América do Sul -, vem permitindo também a realização de congressos, exposições e feiras. No ano passado, eventos como estes injetaram cerca de R$ 20 milhões na economia local.





