Armenia (AE-REUTERS) Quatorze carros de bombeiros, amassados como latas de refrigerante, é tudo o que resta do que foi o orgulho e alegria do Corpo de Bombeiros desta cidade colombiana depois que o desastre se abateu sobre ela numa tarde de segunda- feira. Os veículos vermelhos brilhantes, agora destruídos e sem uso, são um símbolo poderoso do desafio que enfrenta a cidade devastada pelo terremoto do dia 25 de janeiro que matou quase 1.200 pessoas e deixou mais de 4.500 feridas no cinturão de cultivo de café no centro da Colômbia.
Os mortos foram enterrados e a primeira onda de emergência passou, mas as autoridades agora enfrentam uma vasta população de cerca de 250 mil sem-teto, muitos dos quais perderam seus empregos como perderam suas casas. "Ando pelas ruas e é claro que sinto nostalgia, mas o que podemos fazer? Temos que olhar adiante, temos que reconstruir nossa cidade", disse o prefeito Alvaro Patino, cujo escritório teve que ser realocado para um museu no norte da cidade. Aninhada aos pés dos Andes e cercada por algumas das melhores plantações de café do mundo, Armenia era uma quieta capital provinciana até o poderoso terremoto trazer ruína e miséria. Intocada pela terrível violência trazida pelos exércitos guerrilheiros comunistas e esquadrões da morte de direita que infestam a Colômbia, a cidade de cerca de 280 mil pessoas foi uma vez conhecida como a "Cidade Milagrosa".
Agora está em ruínas. Mais de 65% das edificações da cidade foram totalmente destruídas ou terão de ser implodidas. Toda a área central, onde está a maioria dos importantes prédios administrativos e comerciais, foi isolada e evacuada. E cerca de três quartos de suas escolas tiveram de ser abandonadas. "Toda a cidade foi afetada em algum nível. Estamos trabalhando nas prioridades, tentando derrubar os edifícios mais instáveis antes que alguém mais morra", disse Guillermo Arcila, coordenador da avaliação de edifícios na câmara de engenheiros. Uma placa sobre sua mesa diz: "Trazemos soluções e não problemas".
A pior área atingida foram os bairros ao sul onde a maioria dos pobres e desempregados da cidade fizeram suas casas. No pobre e sujo bairro de Brasilia, Marta Gonzalez põe a mão sobre o peito e joga um olhar triste para os céus enquanto o solo volta a tremer com outro dos pequenos choques que ainda são registrados. "Meu Deus, quando isso vai parar?" ela suspira. Anéis negros sublinham seus olhos cansados enquanto ela observa um trator que arrasta a última pilha do que sobrou de sua casa, que aguarda por um caminhão de lixo. "Quando eles vierem e levarem tudo, será como perder alguém amado. Agora não temos mais nada", ela disse, se apoiando no pequeno abrigo de madeira que tem abrigado ela e sua família de quatro pessoas desde que o terremoto destruiu sua casa. Cerca de 230 pessoas morreram só em Brasilia quando suas casas pobremente construídas, muitas sobre depósitos de lixo, tremeram e caíram, deixando uma vasta área de detritos.
Dar abrigo aos sobreviventes, a maioria dos quais ainda estão vivendo em barracas improvisadas de plástico na frente de suas casas destruídas, se tornou o maior desafio para a cidade. Usando tendas fornecidas pelo exército mexicano, um grupo de voluntários oferece abrigo temporário para cerca de 1.200 pessoas num centro de convenções a cerca de 10 quilômetros da cidade. "A idéia é criar uma cidade virtual, uma comunidade onde as pessoas têm que se ajudar", explicou o líder do projeto Carlos Zapata enquanto um grupo de homens de toalhas entravam num bloco de chuveiros, feitos de bambus, lençóis pretos e grandes recipientes de água. "Estas pessoas ficarão aqui por um longo tempo, então elas terão que fazer daqui um lar", ele disse. Líderes da comunidade foram identificados e encorajados a organizarem tarefas. "Este é um lugar aonde o dinheiro e possessões são de importância secundária. Somos todos iguais aqui ricos, pobres ou muito pobres", disse Cesar Sanchez, que foi para o acampamento com sua esposa, sua sogra e seus quatro filhos. A ênfase é dada para as crianças, muitas das quais estão muito traumatizadas. "Um dos meus filhos está em muito má forma. Ele estava no Jardim da Infância quando tudo desabou e agora está muito assustado para brincar com outras crianças", disse Sanchez, assistindo um médico do exército mexicano dar doses de vacinas em um grupo de crianças.
Com abrigos temporários espalhados pela cidade, voluntários têm dificuldades em convencer as pessoas a se realocarem. "Há muitas pessoas que não querem deixar suas áreas porque têm medo de que alguém invada seus terrenos", disse o diretor da Defesa Civil, Alberto Rosas. Muito criticado pela falta de coordenação nos primeiros dias depois do terremoto, quando sobreviventes famintos invadiram supermercados em busca de comida, os voluntários têm medo de criar uma subclasse de dependentes. "É chamada de Síndrome dos Sem-teto", disse o funcionário da Defesa Civil Eugenio Alarcon. "As pessoas dizem: Ficarei aqui e o governo tem que me dar absolutamente tudo". Em Brasilia, reclamações sobre os tardios esforços de ajuda aumentaram assim como a preocupação sobre como a maioria dos sobreviventes desabrigados da área conseguirão reconstruir suas vidas. "Não entendo o que está acontecendo com todo o dinheiro de doações e então eles dizem que teremos que tomar empréstimos em bancos para reconstruir nossas casas", disse German Diago. "Não há trabalho, fomos todos deixados sem emprego. Como nós pagaremos os empréstimos?".
Lembrando-se de 16 anos atrás, quanto barracas e tendas de outra cidade colombiana atingida por um terremoto terminaram sendo vendidas nas ruas de Armenia, Diago disse que o monitoramento internacional foi a única maneira de assegurar que a ajuda chegasse às pessoas certas. Mas enquanto alguns estão preparados para reconstruir suas vidas, outros estão pensando em se juntar à onda de 50 mil pessoas que já deixaram a zona de terremotos para viver em outros lugares. "Eu construirei de novo se houver um sério estudo que prove ser seguro", disse Luis Villa, de 50 anos, apertando uma fotografia amassada de seu neto de 6 anos salvo das ruínas de sua casa. "Se isto não for checado, a história irá se repetir".

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