Cidade alagoana
sofre com a seca
e com a cólera
Agência Estado
Castigada pela seca, a população da pequena cidade de Major Izidoro, a 160 quilômetros de Maceió, sofre também com o flagelo da cólera. A doença já é considerada epidemia. São 133 casos suspeitos, dos quais 35 confirmados, e uma morte. O ministro da Saúde, José Serra, escolheu o município para anunciar ontem a distribuição de R$ 6 milhões em hipoclorito de sódio para purificar a água de regiões atingidas pela seca no Nordeste e a liberação de R$ 40 milhões para o programa do leite. O povo cobrou obras de abastecimento para a cidade.
‘‘Só me firmo em Deus’’, dizia, chorando, a viúva Cícera de Souza, pouco antes da chegada do ministro, que agitou a cidade e deu um tom de campanha eleitoral a sua visita. Cícera é uma das vítimas da cólera em Major Izidoro, município de 18 mil habitantes, 48% deles analfabetos. Somente 20% da população tem água encanada, fornecida pela companhia estadual por meio de uma adutora, duas vezes por semana. O resto dos izidorenses busca água em açudes considerados contaminados, a mesma fonte usada por carroceiros, que chegam a cobrar até R$ 5,00 por dois galões de 200 litros cada um.
‘‘O pessoal da saúde distribui uma pastilinha para colocar na água, mas a gente fica desconfiado’’, contou Antônio Neto, trabalhador de roça desempregado pela seca, que atinge a região há mais de nove meses. A dor é maior para Janailda da Silva, mãe da menina Juliana, que morreu, vítima da cólera, aos três anos de idade. ‘‘Ela estava bem e, de repente, aconteceu’’, contou, desolada. Há outras duas suspeitas de morte por cólera na cidade.

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