Paris,13 (AE) - A Europa não fascina os europeus. Menos da metade dos franceses votou nas eleições para o Parlamento Europeu de Estrasburgo. Entre os holandeses, foi pior: apenas 30% dos holandeses foram votar. E, no caso dos ingleses, um desastre: entre 22% e 24% de votantes (apenas um quarto).
É estranho. Efetivamente, todas as pesquisas de opinião feitas há vários meses atestam que os cidadãos europeus são favoráveis à União Européia. Como então explicar esta contradição? Devemos pensar que a Europa é uma resignação, mais do que uma paixão.
Aceitamos a União Européia como irrevogável, mas sem o menor entusiasmo. É verdade que esta eleição para o Parlamento Europeu não tem nada para mobilizar o entusiasmo. Trata-se de escolher deputados. Mas esses deputados não têm poder algum. Não apresentam projetos de lei.
Não se sabe muito bem o que eles fazem. Eles estão lá, em Estrasburgo. Nem mesmo sabemos seus nomes. Elegemos "fantasmas".
Em contraparrtida, os eleitores não deixaram de expressar suas opiniões sobre a administração dos assuntos franceses. De sorte que as eleições européias são tomadas, em todos os países eutopeus, como uma oportunidade para uma consulta nacional, mais do que européia.
Deste ponto de vista, os resultados são curiosos: na França, a direita desce mais um passo no caminho de sua decadência. O grande partido de direita, o RPR, (do presidente Jacques Chirac) reuniu apenas 13,5% dos votos, um resultado deplorável.
Ao contrário, o ex-ministro Charles Pasqua, dissidente do partido gaullista (RPR) , anti-europeu convicto, obteve o mesmo resultado que o RPR oficial.
A esquerda, que está no poder com Lionel Jospin, mantém e reforça suas posições, sobretudo o Partido Socialista e os Verdes.
Deste ponto de vista, a França é um caso singular: na maior parte dos outros países, observamos que a votação européia foi uma ocasião para castigar os partidos que se encontram no poder; na Alemanha, triunfo dos conservadores e derrota dos socialistas de Schr”der.
Até mesmo Tony Blair cedeu espaço em relação aos seus adversários conservadores. Mas, na França, o socialista Lionel Jospin , depois de dois anos de governo, continua melhorando.

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