Ciclone provoca destruição em Santa Catarina
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quarta-feira, 10 de agosto de 2005
Kazuo Inoue<br>Agência Estado 
Florianópolis - A formação de um ciclone extratropical causou ventos de aproximadamente 100 km/h, destelhou casas, derrubou árvores e deixou regiões da região de Florianópolis sem energia elétrica. Os problemas começaram na tarde de anteontem e continuaram até ontem pela manhã.
De acordo com o Laboratório de Hidrologia Marinha da Universidade Federal de Santa Catarina, foram registradas ondas de mais de sete metros a 30 quilômetros da costa catarinense - um recorde desde o início do monitoramento, há quatro anos.
Na Grande Florianópolis, onde continuou chovendo e ventando forte na manhã de ontem, cinco cidades ficaram sem energia elétrica, várias casas foram destelhadas, árvores caíram e houve deslizamentos de terra. Escolas da rede pública suspenderam as aulas noturnas. Segundo a Defesa Civil, ninguém se feriu.
Cerca de 80 técnicos da Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) trabalharam durante toda a noite para restabelecer a energia elétrica, que foi cortada em mais de 35% das residências da capital devido, principalmente, à queda de árvores sobre a rede elétrica.
No aeroporto Hercílio Luz, o vento foi de 70 km/h. Vento tão forte que arrastou um Fokker 100 da Tam. A aeronave estava vazia e, embora estivesse com as rodas travadas, foi arrastada pela pista. Além disso, o vento arrancou parte do telhado do aeroporto, o que interrompeu suas operações.
Em Balneário Camboriú, onde foram registradas ondas de cerca de dois metros perto da praia, o mar avançou em alguns trechos da Avenida Atlântica. A situação também foi crítica em Bombinhas, onde seis embarcações artesanais bateram na praia ou vieram a pique onde estavam ancoradas.
Em Itajaí, no Bairro Espinheiros, uma casa desabou e a equipe de socorro teve trabalho para evitar que o mesmo ocorresse com a casa ao lado. De acordo com o secretário de Aquicultura e Pesca de Bombinhas, Rosenildo Kenko de Melo, ao escurecer três barcos bateram na praia e outros três afundaram na bóia onde estavam ancorados.
No sul do Estado, vários alagamentos foram registrados na bacia do Rio Araranguá, com a possibilidade de se converterem em enchente com a subida a maré, caso a chuva forte persista. Na região, os seis pescadores que estavam desaparecidos desde o início da tarde de ontem em Imbituba, no Litoral Sul catarinense, foram resgatados pelo navio pesqueiro Primavera VI, de Itajaí, por volta das 21 horas. O grupo, que saiu em uma pequena embarcação mesmo com os alertas sobre o mau tempo, só deve voltar para casa quando as condições do mar permitirem.


