Florianópolis, SC - A localização do corpo do pescador Márcio Correia da Silva em alto mar, na tarde de ontem, elevou para três o número de mortos pelo ciclone extratropical que atingiu o litoral sul de Santa Catarina e o norte do Rio Grande do Sul, na madrugada de anteontem.
Além da concentração das buscas a ainda oito desaparecidos no mar, por equipes da Marinha, as prefeituras de 23 cidades atingidas em Santa Catarina estavam se organizando para obter socorro financeiro do governo federal.
Segundo o último balanço da Defesa Civil catarinense, foram 30 mil as casas afetadas pelo ciclone. As prefeituras montaram centrais para receber ajuda da população.
O governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) ainda não faz uma estimativa dos prejuízos. ''Para quem perdeu a casa foi tudo embora'', afirmou. Ele se referiu ao fenômeno -batizado de ''Catarina''- como ciclone, mas meteorologistas do Estado dizem que a intensidade foi de um furacão.
Luiz Henrique disse que conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ontem pela manhã e sugeriu o deslocamento para a área atingida dos ministros da Integração Nacional, Ciro Gomes, e das Cidades, Olívio Dutra. ''Acho necessário que eles analisem as consequências na região onde o ciclone ocorreu'', disse.
Equipes da Defesa Civil estadual foram deslocadas para as prefeituras para orientar os prefeitos a apressar a publicação dos decretos de situação de emergência ou de calamidade pública, dependendo dos prejuízos. Segundo o secretário da Segurança Pública, João Henrique Blasi, sem esses decretos o governo federal não tem como liberar recursos de emergência.
Na cidade de Araranguá, estima-se que 40 mil crianças e adolescentes ficaram sem aula e não há previsão de quando será o retorno. A Secretaria Estadual da Educação informou que 80% das 82 escolas da rede pública - onde estudam 30 mil pessoas - foram danificadas pela intensidade dos ventos. Outras 10 mil seriam estudantes de escolas particulares.
Dez cidades ainda estão com fornecimento de energia elétrica comprometido e seis também apresentam problemas de comunicação telefônica. O abastecimento de água voltou, mas ainda é precário na região.
Baseado em Rio Grande (RS), o comando do 5º Distrito Naval coordena as operações de busca à embarcação e aos oito pescadores ainda desaparecidos no mar. Segundo o comandante Paulo Renato Carvalho de Azevedo, do Estado Maior do comando, não haveria interrupção da procura por sobreviventes.
Desde os primeiros alertas de vítimas, o Distrito Naval destacou para a região atingida o navio Benvente, que é auxiliado por um helicóptero da FAB (Força Aérea Brasileira) e barcos pesqueiros. O navio receberia o reforço de uma segunda embarcação da Marinha no início da noite de ontem.
Os dois sobreviventes do barco Valio 2 localizados ontem foram atendidos por enfermeiros navais no Benevente e depois liberados. Durante a tempestade, um homem morreu atingido por uma árvore na BR-101, perto de Maracajá (SC), e um outro foi encontrado morto de madrugada a 50 metros de casa, sem lesões aparentes, em Torres (RS).

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