Sorocaba, SP, 27 (AE) - A Companhia Nacional de Estamparia (Cianê), que já foi um dos maiores conglomerados têxteis do País
demitiu hoje 140 dos 600 funcionários da Fábrica São Paulo, em Sorocaba, a 92 quilômetros da Capital. A unidade é a última das cinco fábricas que o grupo chegou a ter na cidade até a década passada, quando empregava cerca de 6 mil pessoas. Outras 60 demissões estão previstas para os próximos dias.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Têxtil de Sorocaba, Marco Antônio de Almeida, os funcionários foram informados da dispensa por carta. A primeira reação dos demitidos, apoiados pelos demais funcionários, foi ocupar as instalações da indústria. Mas a empresa recorreu à justiça e obteve liminar de reintegração de posse da fábrica.
Parte dos demitidos passou o dia, hoje, na frente da indústria, aguardando informações. A diretoria do sindicato esperava reunir-se, no fim da tarde, com a assessoria jurídica da Cianê na tentativa de evitar as novas dispensas. Segundo Almeida, a empresa vem pagando os salários com atraso. A fábrica estampa cerca de 90 mil metros de tecidos por turno de trabalho. Segundo o sindicato, a empresa justificou as demissões alegando a necessidade de reduzir o quadro de pessoal. A diretoria da Cianê não se manifestou sobre as dispensas. Há três meses, a empresa teve leiloado pela Justiça do Trabalho o prédio da Fábrica Santa Rosália, desativada há quatro anos, para pagamento de débitos trabalhistas. As instalações foram rematadas pela rede Pão de Açúcar por R$ 11 milhões. O dinheiro foi destinado a pagamento de indenizações de 1.850 ex-funcionários da empresa.

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