Ciampi inicia consultas para resolver a crise
Roma, 20 (AE-AP) - O presidente da Itália, Carlo Azeglio Ciampi, iniciou nesta quinta-feira (20) uma série de consultas com as lideranças políticas do país a fim de encontrar uma saída para a crise política provocada pela renúncia do primeiro-ministro esquerdista Massimo DAlema.
Pela manhã, compareceram ao Palácio do Quirinale - sede da presidência - os presidentes do Senado, o democrata-cristão Nicola Mancino, e da Câmara, o ex-juiz Luciano Violante, o chefe da Liga do Norte, Umberto Bossi, líderes de pequenos partidos e o ex-presidente Francesco Cossiga.
Ciampi não esconde sua preferência pela formação de um novo governo, apoiado pela maioria de centro-esquerda. Ele quer evitar a dissolução do Parlamento. Pretende cumprir o calendário eleitoral, que prevê para abril de 2001 e um referendo em 21 de maio sobre importante reforma eleitoral.
Mas vem sofrendo forte pressão em favor de "eleições já" por parte da frente conservadora Pólo da Liberdade, liderada pelo magnata Silvio Berlusconi. O milionário e seus aliados direitistas impuseram humilhante derrota às esquerdas, lideradas por DAlema, nas eleições regionais de domingo, controlando as zonas mais ricas e populosas do país. Os conservadores venceram até mesmo no empobrecido sul, elegendo o novo governador da Calábria.
Hoje, Ciampi receberá Berlusconi que reiterou sua oposição à designação de um novo primeiro-ministro, apoiado pelas esquerdas: "Não queremos um idiota útil à frente de um governo sem nenhuma legitimidade popular."
Se o presidente conseguir impor sua vontade, o nome mais provável para chefiar um novo gabinete seria o do socialista Giuliano Amato, atual ministro do Tesouro. Amato, que já ocupou a chefia do governo italiano, tem livre trânsito nos meios conservadores e progressistas italianos. Tem também grande reputação na União Européia por seu trabalho no saneamento das finanças italianas, com destaque para a significativa redução do déficit público.
Ciampi pretende concluir as consultas neste fim de semana. DAlema, que hoje completou 51 anos, permanecerá interinamente no cargo até a formação de um novo governo.





