Washington, 14 (AE-AP) - A Agência Central de Informações (CIA
pela sigla em inglês) vai revelar suas atividades secretas no Chile de 1962 a 1975, informou hoje (14) o governo norte-americano. Nesse período, o presidente socialista Salvador Allende foi eleito e depois derrubado, em um golpe militar liderado pelo general Augusto Pinochet.
O vice-conselheiro-geral da CIA, Thomas Benjamim, comprometeu-se a revelar as ações no Chile durante uma reunião no Departamento de Estado em dezembro. Mas as minutas desse encontro só foram mostradas hoje. Uma fonte da CIA informou que as informações não serão divulgadas antes de junho.
A CIA confirmará que tinha agentes próprios operando no Chile nesses anos, segundo as minutas divulgadas pela Assessoria Histórica do Departamento de Estado. Ela também vai revelar orçamentos para operações secretas.
O governo de Allende foi marcado por greves e protestos dos empresários. Os agentes da CIA são acusados de participarem de sessões de tortura e de terem assassinados militantes esquerdistas.
Uma investigação do Congresso norte-americano estabeleceu na década de 70 que a CIA ajudou a desestabilizar o governo de Allende. Mas a agência nunca divulgou suas operações secretas no Chile
Após a prisão de Pinochet em Londres, em 1998, a pedido do juiz espanhol Baltasar Garzón, a Justiça da Espanha pediu a Washington para esclarecer as violações aos direitos humanos no Chile. O presidente Bill Clinton deu ordens para que o governo facilitasse as investigações.
Os departamentos de Jutiça e de Estado, bem como o FBI (polícia federal) entregaram milhares de documentos. A CIA só forneceu alguns.
O Comitê de Assessoria Histórica do Departamento de Estado monitora a divulgação das séries de "Relações Exteriores dos Estados Unidos", que é a história oficial da política externa norte-americana. O Comitê tem o poder de solicitar documentos que acredite serem importantes para a história, mas não tem a autoridade para forçar a divulgação de papéis secretos.
"Tem havido mais promessas do que documentos revelados, mas eles (os funcionários da CIA) estão realizando compromissos bem específicos agora", diretor de um projeto da Federação Americana de Cientistas dedicado a segregos governamentais, Steven Aftergood. "Creio que todas as vez em que eles prometem, torna-se um pouco mais provável que se realize", completou Aftergood.
As minutas da reunião de dezembro podem ser vistas no site do Departamento de Estado (www.state.gov/www/abouttstate/history). As partes confidenciais foram retiradas.
Os defensores dos direitos humanos que integram a Mesa de Diálogo no Chile, Roberto Garretón e Héctor Salazar, afirmaram hoje que, além dos militares, os civis responsáveis pelo desaparecimento de opositores durante o governo militar devem comparecer diante da Justiça.
Eles mencionaram de forma particular o senador Sergio Diez, do direitista Partido Renovação Nacional, que, como embaixador do Chile na ONU durante o governo Pinochet, negou a existência de presos desaparecidos amparado num documento falsificado.
O senador Diez utilizou documentação que foi falsificada no Ministério das Relações Exteriores para tratar de desmentir o fenômeno dos desaparecidos, ele tem de prestar contas nos tribunais por ter utilizado essa informação", declararam os advogados.

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