CIA investiga uso de águas cubanas pelo narcotráfico
Washington, 15 (AE-AP) - O Departamento de Estado dos Estados Unidos e a CIA (serviço secreto americano) investigam uma eventual conexão cubana com o tráfico de drogas em território americano.
As suspeitas do governo americano recaem na falta de vigilância do espaço aéreo cubano que poderia facilitar e estimular o tráfego de cocaína e heroína na região, fornecida pelos barões colombianos da droga.
Contudo, para o presidente cubano, Fidel Castro, que se apresenta reiteradamente como um "incansável paladino da luta contra a droga", a preocupação da chancelaria americana e de seu serviço secreto reflete uma dupla mensagem da Casa Branca.
Horas depois que o Senado americano votou, no início do mês, projeto para abrandar as restrições americanas sobre a venda de alimentos e remédios a Cuba, o bloco republicano anticastrista obteve a aprovação de um pedido para investigação do uso de águas cubanas por narcotraficantes.
A oposição republicana convenceu o governo democrata do presidente Bill Clinton a investigar um malogrado embarque de cocaína para os EUA, pelo litoral cubano, em dezembro. Não há indícios de envolvimento do governo cubano no episódio.
Cuba prometeu lutar vigorosamente contra o narcotráfico. Fidel pediu ao governo americano que "se una" a ele no que classificou de "uma das maiores alianças na luta contra as drogas".
O general Barry McCaffrey, maior autoridade americana no combate ao narcotráfico, admitiu recentemente que os traficantes vêm usando o espaço aéreo e as águas territoriais cubanas, mas destacou as queixas cubanas de que não dispõe de recursos para realizar um patrulhamento eficiente, principalmente de sua extensa costa.
"Não existem evidências conclusivas de que Havana esteja, atualmente, envolvida nessa atividade criminosa", ressalvou McCaffrey.
Contudo, a deputada republicana de origem cubana Ileana Ros- Lehtinen criticou o comportamento das autoridades americanas. Ela lembrou que o presidente cubano "tem fama" de dar cobertura aos narcotraficantes.
"É um grave erro da administração pública americana dar qualquer tipo de credibilidade a Fidel nesta batalha."





