São Paulo, 01 (AE) - A divisão de crimes financeiros do serviço secreto americano, a CIA, está investigando pistas que recebeu do Unibanco de uma quadrilha de fraudadores virtuais. Sites pornográficos americanos utilizaram os números de cartão de créditos de 70 correntistas brasileiros para fazer compras fraudulentas que somaram cerca de US$ 5 mil.
O diretor de Crédito e Risco do Cartão Unibanco, Roberto Lamy, informou que as investigações começaram a partir de reclamações de correntistas e de compras suspeitas rastreadas pelo software Falcon, que permite traçar um perfil do cliente com base nos seus hábitos de consumo.
O ponto comum entre os clientes fraudados eram sites pornográficos, especialmente o www.obsession.com. Os internautas acessaram diferentes sites que solicitavam o número do cartão de crédito para atestar a maioridade, exibiam então algumas fotos eróticas e finalmente remetiam o visitante para o endereço do Obsession.
Os primeiros sites é que executavam a fraude. Os fraudadores utilizaram os números dos cartões para realizar compras pela Internet, principalmente de equipamentos eletrônicos de baixo preço - a conta média foi de R$ 60.
Segundo Lamy, a CIA já desativou a maior parte dos sites investigados, outros apenas deixaram de pedir o número do cartão de crédito. O Obsession já traz, de fato, uma tarja dizendo "no credit card needed" (não é necessário cartão de crédito). Mas à medida que o internauta vai abrindo novas páginas chega a um cadastramento em que é solicitado o número do cartão.
Para chegar aos sites fraudulentos, o Unibanco fez uma intensa pequisa e identificou um serviço no Japão que lista os criminosos virtuais. Muitos dos sites que fraudaram os brasileiros também eram conhecidos dos japoneses.
Com essas informações, o Unibanco comunicou a Visa e a Mastercard nos Estados Unidos e solicitou providências. Foram as administradoras de cartão de crédito que pediram ajuda da CIA. "Os clientes não sofreram prejuízo, nem o Cartão Unibanco", informou Lamy. Quem assume as perdas são os intermediários entre as administradoras de cartão de crédito e as lojas.
Mesmo assim, o Unibanco mantém a recomendação de cautela. "É como no mundo real, se o cliente entra num estabelecimento suspeito, não deve passar o número", disse Lamy. "Deve dar preferência às lojas mais famosas", afirmou. "O cartão normal está sujeito a isso", disse. Para as compras na Internet, o Unibanco já lançou o E-card, que dispara um e-mail para confirmar a compra antes de faturá-la.

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