Recife, 09 (AE) - A pequena Naiara Keila Vieira de Melo Cunha, de três anos, e José Paulo Diniz de Araújo, morreram, ontem à noite, em consequência das fortes chuvas que atingem a região metropolitana do Recife desde na sexta-feira. Na madrugada, as chuvas deram uma trégua. As mortes foram causadas por deslizamentos em morros da zona norte da capital. Os desmoronamentos provocaram o desabamento de muros de arrimo construídos irregularmente por particulares, de acordo com o secretário executivo da Comissão de Defesa Civil do município (Codecir), Wilson Albuquerque, que lamentou as mortes, ocorridas no morro de Casa Amarela.
Wilson Albuquerque informou que um muro de arrimo desabou sobre outras três residências em Casa Amarela, mas as famílias saíram a tempo. Algumas pessoas ficaram feridas de forma leve. Segundo o secretário, a Empresa de Urbanização do Recife (URB) gastou R$ 16 milhões em pavimentação, contenção de encostas e muros de arrimo nos morros da cidade nos úiltimos 15 meses. Porém, diz ele, a falta de cooperação da população - seja jogando lixo nas galerias ou construindo irregularmente em locais de risco - agrava ainda mais a situação.
Um levantamento parcial da Codecir indicou que mais de 10 famílias estão desabrigadas e foram encaminhadas para casas de parentes e amigos. A Codecir recebeu no final de semana 250 chamadas solicitando lonas plásticas por causa do deslizamento de barreiras. As ocorrências se concentraram principalmente nos morros de Casa Amarela, na zona norte. Mais de 20 equipes da prefeitura ainda atendiam hoje a esses pedidos. Segundo o secretário municipal de Infra-Estrutura, Samuel Brito, a demora no atendimento foi causada pela dificuldade de acesso aos locais no sábado, já que muitas ruas e avenidas ficaram intransitáveis por conta da água.
Chuva - Apenas ontem, sábado, choveu no Recife 191,3 milímetros, quase o total da média histórica do mês de abril que é de 207,4 milímetros. As águas alagaram praticamente toda a cidade e transtornaram especialmente a vida das 400 mil famílias que vivem nos morros das zonas norte, sul e oeste. Cinco mil delas habitam em pontos de risco iminente de desabamento.
As chuvas foram provocadas por uma frente fria vinda do Oceano Atlântico e se concentraram sobre a região metropolitana. A expectativa do serviço de meteorologia era de continuação das chuvas no dia de hoje. Até o início da tarde o tempo permaneceu nublado mas sem ocorrência de chuvas fortes.

mockup