Chuvas provocam a maior enchente em 5 anos no Solimões
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domingo, 16 de maio de 1999
Por Kátia Brasil 
Manaus, 17 (AE) - As chuvas acima do normal no Oeste do Amazonas, em decorrência do fenômeno La Niña, provocaram cheia no Rio Solimões e nos afluentes. É a maior enchente dos últimos cinco anos. As prefeituras de Benjamin Constant, Tabatinga, Atalaia do Norte e Tonantins decretaram estado de calamidade pública. Nas duas primeiras cidades, 14.780 moradores estão com as casas inundadas, mas só 240 abandonaram as residências e estão alojados em igrejas e centros sociais, Atalaia do Norte e Tonantins estão isoladas e sem comunicação.
Quem resisitiu às chuvas e ficou em casa teve de constuir nas ruas passarelas de 2 metros de altura do solo para transitar nas cidades.
O único hospital de Benjamin Constant está isolado pelas águas do Rio Javari. Falta alimentos, roupas e medicamentos e várias comunidades dos índios ticuna sofrem com as cheias. "Pedimos ajuda ao Programa Comunidade Solidária e ao governo do Amazonas; mas, até o momento, não tivemos retorno", disse, por telefone, o prefeito Amaury Mota (PTB).
"Continua chovendo forte e, amanhã (18), as aulas serão suspensas", afirmou. A maior enchente do Rio Solimões aconteceu em 1994, quando a quota máxima chegou a 13,32 metros acima do nível do mar. Hoje, o Controle de água do Porto Fluvial de Tabatinga (1,1 mil quilômetros de Manaus) registrou quota de 13 52 metros - 20 centimetros a mais. No início deste ano, o Instituto Naional de Meteorologia (Inmet) previu grandes enchentes nos rios da Amazõnia, em razão do fenômeno La Niña. A do Rio Solimões foi confirmada. Mas a previsão prevista para a maior enchente do Rio Negro, que foi em 1953 (quota de 29,69 metros), não se confirmou por enquanto.
Hoje, o Rio Negro registrou quota máxima de 28,51metros - 1,18 metro a menos - em relação aos últimos 46 anos. Por outro lado, o Rio Negro está mais cheio 73 centímetros, comparados com os dados de 1998, quando a quota máxima foi de 7,58 metros, conforme dados do Serviço de Hidrológia da Portobras. A meteorologista Flávia Lacerda, do 1º Distrito de Manaus do Inmet
disse que não descarta uma cheia igual ou até mesmo superior à de 1953. Ela disse que o ciclo natural da estação chuvosa teve inpicio em meados de novembro e se estenderá até junho.
Em abril, a ocorrência de chuvas passou a média normal em 30% do índice previsto. "Esperamos mais chuvas para os próximos 13 dias, que serão cruciais e com possibilidades de ocorrer uma cheia extrarodinária, como a de 1953", explicou.


