Chuvas paralisam economia de Cerro Azul
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sábado, 06 de agosto de 2011
Fábio Galão <br>Equipe da Folha 
Curitiba - As fortes chuvas que atingiram o Paraná entre 29 de julho e 1º de agosto causaram transtornos em vários municípios. Enxurradas, vendavais, deslizamentos de terra e alagamentos interromperam o tráfego em rodovias, danificaram e destruíram residências, prejudicaram sistemas de abastecimento de água e provocaram um impacto econômico que ainda está para ser mensurado.
O caso mais extremo ocorre no Vale do Ribeira. Três dias de chuva intensa elevaram o nível do Rio Ribeira, que arrastou a ponte na PR-092 que fazia a ligação entre os municípios de Cerro Azul e Doutor Ulysses. A principal atividade econômica de Cerro Azul é a produção de hortifrutigranjeiros e, segundo a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil, as propriedades rurais do outro lado do Rio Ribeira concentram mais de 70% da produção. Cerca de dois mil agricultores estão isolados desde a destruição da ponte.
''Muita gente vai perder tudo, porque não tem como transportar a produção. Cerro Azul é a terceira maior fornecedora da Ceasa de Curitiba. Pelos problemas causados pelas chuvas, os preços já estão aumentando por lá'', relatou José Nunes do Nascimento, coordenador da Defesa Civil de Cerro Azul.
''Não temos o que fazer. Preciso escoar minha produção até a próxima quarta-feira, senão vai começar a apodrecer tudo'', afirmou o produtor João Ademir Bouard, um dos prejudicados. Ele disse que não há como transportar os produtos por caminhos alternativos. ''Levar por Jaguariaíva não compensa. A estrada de Doutor Ulysses a Jaguariaíva é muito ruim. E a distância fica muito maior'', apontou.
A ponte sobre o Rio Ribeira será reconstruída, mas não deve estar pronta antes de seis meses. O poder público está buscando soluções emergenciais. A Prefeitura de Cerro Azul disponibilizou uma balsa para travessia do rio, mas ela só tem capacidade para veículos pequenos. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) também deve oferecer um serviço de balsa nas próximas semanas, mas provavelmente ela também não poderá transportar veículos grandes.
A esperança é uma balsa que será disponibilizada pelo Exército, com capacidade para levar caminhões e ônibus. Mas ela só deve chegar à região daqui a 15 dias. Segundo Bouard, os produtores não podem esperar tanto. ''Estamos pensando em nos unir e alugar uma balsa maior, que suporte o transporte de caminhões'', comentou.
Para os moradores da área urbana de Cerro Azul, o impacto da destruição da ponte também foi grande. Comerciantes do Centro dizem que o movimento nos seus estabelecimentos diminuiu muito nos últimos dias. Segundo a Defesa Civil, aproximadamente 7 mil dos cerca de 17 mil habitantes de Cerro Azul moram do outro lado do rio.
Maria Crocolato Teixeira, proprietária de um mercado no Centro, afirmou que o movimento no local está pequeno. ''Caiu uns 60% desde a destruição da ponte, porque os ônibus que trazem gente de Doutor Ulysses e São Sebastião (distrito de Cerro Azul) não estão vindo para cá'', lamentou a comerciante.


