Chuvas não afetam ritmo de vendas de produtores de café
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domingo, 12 de setembro de 1999
Por Fabíola Salvador 
São Paulo, 13 (AE) - As chuvas registradas na última semana e as previsões de tempo chuvoso para as principais regiões produtoras do Brasil nos próximos dias não devem acelerar o ritmo de vendas de café no mercado interno. Esta é a opinião de Manoel Bertone, vice-presidente do Conselho Nacional do Café (CNC) e presidente da Cooperativa dos Cafeicultores de Garça (Garcafé). "Os preços recuaram muito desde a última quarta-feira e os produtores devem continuar retraídos e vendendo pequenos lotes para pagar contas inadiáveis no curto prazo", afirmou Bertone.
Em seu boletim semanal, o Escritório Carvalhaes de Santos informou que na semana entre 2 e 9 de setembro, os preços internos do café recuaram R$ 15,00 por saca. Segundo Bertone, o produtor não aceita vender porque os preços pagos não cobrem os custos de produção. "Em média, o produtor gasta US$ 90 para produzir uma saca de café e os preços atuais não são remuneradores", afirmou. Segundo ele, o produtor "vai segurar até quando der, depois vai vender pelos preços e, se tiver prejuízo, vai deixar de saldar algumas dívidas".
Bertone rebate as afirmações de corretores de que os produtores que têm café da safra 99/2000 estocado são os grandes
que estão capitalizados, e por isso podem "adiar as vendas". Bertone acredita só em novembro ou dezembro o café estará nas mãos de grandes produtores.
Dívidas - Os produtores devem vender maior volume de café no final de setembro, quando vencem as dívidas de custeio, afirmou Bertone, da Garcafé. "O volume a ser vendido vai depender do endividamento do setor. Os cafeicultores não devem mais que o necessário", afirmou.
Segundo Bertone, os cafeicultores ainda acreditam que a safra vai ser menor que o esperado devido à seca. "Apesar do volume de chuva registrado nos últimos dias em Garça ter sido considerado bom, média de 60 milímetros, em outras regiões produtoras, o índice ficou em 30 milímetros, o que não é suficiente para eliminar as condições secas", disse. "Ainda é cedo para dizer se as chuvas beneficiaram as lavouras", completou.
Na avaliação de Bertone, só em fevereiro será possível analisar a formação do grão, que pode ter sido prejudicado pelo período de seca. "Houve, pelo menos, 15% de perda na safra 2000/2001 de café, mas os números ainda não estão fechados", afirmou ele, completando que as baixas registradas em Nova York são "exageradas". Além da falta de chuvas, afirmou Bertone, a safra pode ser prejudicada pelos maus tratos culturais.
"Na região de Garça, por exemplo, os produtores estão gastando menos com insumos, principalmente com calcário, que é aplicado logo após a colheita e serve para reduzir a acidez do solo", afirmou. Segundo ele, o calcário deve ser aplicado em agosto, mas poucos lotes foram vendido até agora. "Sem os tratos necessários, a safra 2000/2001 pode ser menor", afirmou.


