O corpo de uma criança de 7 anos, encontrado ontem no bairro de Ouro Preto, em Belo Horizonte, elevou para 66 o número de mortos em todo o Estado. Este é o saldo trágico de cinco dias de chuvas ininterruptas. De acordo com a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, houve 386 desabamentos em todo o Estado, deixando 26.627 pessoas desabrigadas. No total, 5.733 casas foram destruídas e 2.557 famílias estão ilhadas.
Ontem, a água finalmente começou a dar uma trégua. Embora ainda não tenha parado totalmente, a chuva na região metropolitana de Belo Horizonte caiu em intervalos muito maiores e com muitos menos intensidade. Houve um pouco de sol e o trabalho maior dos desabrigados, agora, é o de tentar recuperar objetos pessoais nas casas soterradas.
A Polícia Militar informou que só na região metropolitana de Belo Horizonte foram registrados 87 desabamentos desde o início dos temporais. No interior, a situação ainda é mais grave, principalmente nas cidades mais próximas da Capital. O trabalho do Corpo de Bombeiros ontem, em Belo Horizonte, se limitou a vistorias nas áreas de risco. Sem a ocorrência de novos desabamentos, o plantão transcorreu sem maiores dificuldades.
Algumas cidades da região metropolitana de Belo Horizonte ainda sofrem consequências sérias por causa das tempestades, como é o caso de Raposos, que está submersa em 70% de seu território. A Fundação Ezequiel Dias (Funed) ajuda as cidades mais atingidas, com o envio de medicamentos de emergências, como antibióticos e analgésicos. As doações de alimentos e roupas, estão sendo recebidas pela Polícia Militar e Defesa Civil.
Em algumas estradas, a situação também é precária. De acordo com a Polícia Militar, 29 rodovias estaduais estão interditadas. Quatro trechos de rodovias federais também estão em situação delicada: no km 627, perto de Conselheiro Lafayete, na BR-040, que liga Belo Horizonte ao Rio de Janeiro, parte da pista cedeu; na BR-381, no Km 441, as águas do Rio Paraupeba cobrem a ponte; na BR-354, entre Perdões e Campo Belo, o trânsito foi interditado, e na BR-383, entre São João del Rey e Congonhas, a queda de uma ponte obrigou o desvio do trânsito por Barbacena.
Ajuda federal O governo federal vai ajudar as vítimas das chuvas em Minas. A garantia foi dada ontem pelo governador em exercício, Agostinho Patrus, depois de um contato por telefone com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Após uma reunião com representantes da Coordenadoria de Defesa Civil do Gabinete Militar e da Casa Civil, Patrus fez um balanço preliminar ao presidente da situação de emergência em várias cidades do Estado e prometeu passar um relatório mais completo hoje.
O deputado Agostinho Patrus, presidente da Assembléia Legislativa, substitui o governador Eduardo Azeredo que está de férias na Europa. Segundo o governador em exercício, a situação em algumas cidades é crítica, mas nenhuma ainda está sob calamidade pública. Ele explicou que primeiro as cidades mais atingidas entram em estado de emergência, para terem condições de arrecadar doações sem a necessidade de licitação pública. O estado de calamidade só pode ser decretado pelo governo do Estado, que neste caso assume o controle do município. Vinte e duas cidades estão sob estado de emergência em Minas.
As cidades mais atingidas na região metropolitana de Belo Horizonte são: Betim, Brumadinho, Contagem, Esmeraldas, Onório Bicalho, Nova Lima, Raposos, Ribeirão das Neves, Sabará, Sete Lagoas, Vespasiano e Santa Luzia. Um pouco menos atingidas estão Ouro Preto, Ponte Nova e João Monlevade.
As cidades cuja situação foi considerada de calamidade pública são: Barra Longa, Bonfim, Caputiba, Carangola, Campos de Minas, Congonhas, Durandé, Guaraciaba, Manhuaçu, Manhumirim, Matipó, Miradouro, Moedas, Muriaé, Patrocínio de Muriaé, Porto Firme, Reduto, Rio Casca, Santana do Jacaré, Santo Antônio do Monte, Ipanema, Esfera Feliz e Ponte Nova.

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