São Paulo, 27 (AE) - As chuvas de sexta-feira à noite e da madrugada de hoje causaram a morte de pelo menos sete pessoas em São Paulo. O corpo de Francisco de Assis Soares, de 34 anos, foi encontrado às 8h30, próximo da Favela do Tabor, na região de São Mateus, zona leste, uma das áreas mais atingidas pela enchente. Duas pessoas morreram ao ser arrastadas pelas águas na Avenida Sapopemba, na zona leste, outra num soterramento na Rua Carlantonio Carlone, na zona sul, e os dois menores - Ariane Silva, de 9 anos, e Ankue Sinamol Alves Ferreira, de 10 - num desabamento ocorrido às 6h30 de hoje em São Mateus. Outros dois jovens ficaram feriados e foram socorridos no hospital da região.
Na sexta-feira à tarde, o motorista de um caminhão morreu depois de o veículo cair no córrego que corta Rua Aimara, no Parque Pirajuçara, na zona oeste. As inundações transformaram a cidade num caos e o trânsito ficou praticamente parado até a madrugada de hoje. A Marginal do Tietê, a Avenida Aricanduva e a Avenida do Estado permaneceram com trechos interditados até as 12h30 de hoje por causa da lama e do lixo acumulados nas pistas. Na região do Butantã, na zona oeste, as vítimas da enchente do Córrego Pirajuçara bloquearam ruas e avenidas em protesto contra a Prefeitura de São Paulo. Sofás, colchões, cadeiras e toda sorte de móveis destruídos em três enchentes consecutivas foram utilizados numa barricada pelos moradores da Avenida Rio Pequeno, em protesto contra a falta de providências. O Jardim Jussara e o Jardim Ivana foram os mais afetados. Segundo o engenheiro José Manoel Rodrigues, da regional do Butantã, esses bairros ficam em áreas muito baixas e próximas do rio. A água nas casas chegou a 2 metros de altura.
Em São Mateus, foram registradas mais de 40 ocorrências, por causa de ruas inundadas e casas ameaçadas de desabamento. Uma delas desabou na Rua Vereador Luiz Gonzaga Ferreira.
Dia seguinte - Os moradores do Jardim Aricanduva, na zona leste, passaram a manhã de hoje limpando ruas, casas, carros e calculando os prejuízos. Para o comerciante Manoel de Oliveira, de 42 anos, o trabalho foi triplo.
Ele é dono de um Fusca, um Santana e um caminhão Chevrolet. "É a terceira vez nesta semana que tenho de limpar os veículos", reclamou.
O Autoposto Delfim, na esquina da Rua Manilha com a Avenida Aricanduva, aproveitou a enchente para criar uma promoção. Todos os carros que abastecem no local recebem uma lavagem gratuita.
O mecânico Ivanildo Alves da Silva, de 42 anos, hospedou em sua oficina dois motoristas que tiveram os caminhões presos na enchente. O custo do reparo para cada veículo varia de R$ 1,8 mil a R$ 4 mil.
Os sócios Marcos André Camilo, de 31 anos, e João Bolognato, de 38, estimam um prejuízo de quase R$ 5 mil em sua firma de conserto de ar-condicionado. A água atingiu 1,5 metro de altura e danificou varias máquinas e móveis da empresa.

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