Chuvas deixam pelo menos 50 mortos na Venezuela
Caracas, 16 (AE-AP) - As chuvas e inundações que causaram a morte de pelo menos 50 pessoas na Venezuela empanaram o brilho da nova vitória eleitoral do presidente Hugo Chávez, que conseguiu aprovar a nova Constituição do país no plebiscito de ontem.
Autoridades locais informaram a existência de 120.000 desabrigados no norte do país. Pelo menos 15.000 pessoas perderam totalmente suas residências. Esperava-se um aumento no número de mortos.
"Quis Deus, e assim vemos, como católicos, que a tragédia enlutasse a nação venezuelana precisamente no dia de seu renascimento", disse Chávez no pronunciamento que fez em cadeia nacional de rádio e televisão para anunciar a ampla vitória do "sim" no plebiscito, com mais de 70% dos votos.
"O parto da nova nação, lamentavelmente foi doloroso, pelos desígnios de deus", afirmou. "Choveu como nunca, caiu muita água, afetando principalmente os setores mais desfavorecidos nos 40 anos de um regime que termina hoje."
As chuvas caíram durante toda a quarta-feira na maior parte do território venezuelano, diminuiu um pouco à noite, mas voltou a intensificar-se hoje de manhã, provocando um verdadeiro caos em várias cidades do país. Em Caracas, a força das águas arrastou automóveis e inundou milhares de casas.
Dezenas de casos de deslizamento foram atendidos pela defesa civil em todo o país. De acordo com números oficiais, além dos mortos já confirmados, há ainda 100 pessoas desaparecidas.
Além de Caracas, capital federal, outros oito Estados declararam-se em emergência. O transporte público na capital entrou em colapso total com a interrupção do serviço de metrô. Por causa das chuvas, não houve pregão na Bolsa de Valores de Caracas nem expediente na sede do Banco Central da Venezuela.
O governo instalou um gabinete de emergência para coordenar as operações enquanto fazia apelos aos moradores das áreas menos afetadas para colaborar enviando roupas, alimentos e água potável para os desabrigados.





