Chuvas deixam 21 mortos em São Paulo
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sexta-feira, 11 de março de 2016
Agência Estado 
São Paulo - Ao menos 21 pessoas morreram no Estado de São Paulo por causa dos efeitos da forte chuva que caiu entre a noite de quinta-feira e a madrugada de sexta. Segundo a Defesa Civil do Estado, há 12 feridos e dezenas de desabrigados. Francisco Morato, Mairiporã, Franco da Rocha, Itapevi, Cajamar, Caieiras, Guarulhos e a capital, na Grande São Paulo, além de Itatiba, no interior, foram os municípios mais atingidos. Na manhã de ontem, para evitar o rompimento da barragem que pertence ao Sistema Cantareira, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) teve de abrir as comportas da Represa Paiva Castro, entre as cidades de Franco da Rocha e Mairiporã.
Em Itapevi, segundo os bombeiros, duas pessoas morreram soterradas. Em Francisco Morato, os deslizamentos de terra deixaram onze mortos durante a madrugada de ontem. Dois feridos foram socorridos. O estudante Tainã Caetano, de 18 anos, viu de perto o deslizamento de terra que soterrou a casa de seus vizinhos, o casal Mandur e Neusa e o filho Alisson, de 23 anos na Rua Irã. "A terra veio que nem foguete", contou ele, que estava na calçada por volta de 23h30, quando a tragédia começou.
A Defesa Civil de Francisco Morato informou que há, no mínimo, 15 pontos com risco de desabamento na cidade. O centro está alagado, e os trens da Linha 7-Rubi, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), não circularam por causa da água que invade os trilhos.
Em Mairiporã, quatro pessoas morreram - os bombeiros haviam informado anteriormente cinco óbitos - e há seis desaparecidos. Sete pessoas ficaram feridas. Uma criança socorrida morreu no hospital. O deslizamento de terra atingiu três casas na Rua Primavera, por volta das 21h40 de quinta-feira, em uma região de morro no bairro Jardim Nery.
A auxiliar de cozinha Isabela Taís foi até a casa da irmã, uma das três residências soterradas, atrás de notícias. "Minha irmã tinha saído da casa quando a terra começou a descer, mas voltou para pegar o bebê e não saiu mais. Só meu cunhado conseguiu", contou. Seis pessoas da família de Isabela foram soterradas. A Defesa Civil interditou um quarteirão no bairro. Em princípio, cerca de 50 famílias terão de deixar suas casa.
A Prefeitura de Mairiporã confirmou somente uma morte até as 11 horas de ontem. A administração municipal também divulgou que há cinco pessoas hospitalizadas e nove desaparecidas. Outras sete foram socorridas pela Defesa Civil e pelo Corpo de Bombeiros.
AFOGAMENTO
Ainda segundo os bombeiros, duas pessoas morreram afogadas, uma Guarulhos e outra em Caieiras. Na cidade de Cajamar, o Ribeirão dos Cristais transbordou e deixou as principais vias da cidade inundadas, além do Km 36 da Rodovia Anhanguera.
O município de Franco da Rocha também foi atingido com violência pelas chuvas. Não houve mortos, mas parte da cidade ficou completamente alagada. A Defesa Civil e todas as equipes da prefeitura foram para as ruas e orientaram a população que vive em áreas de risco a deixar suas casas. O Centro Cultural Newton Gomes de Sá e o Clube das Acácias foram abertos para receber os desabrigados. Por causa da forte tempestade, os trens e as linhas municipais de ônibus tiveram a circulação interrompida. As aulas na rede municipal foram suspensas.
Em Caieiras, a Defesa Civil informou que há mais de 30 deslizamentos de terra e diversas residências inundadas. O centro e os bairros próximos são as áreas mais prejudicadas pelas chuvas.
INTERIOR
As fortes chuvas também causaram transtornos no interior paulista. Duas pessoas morreram em Itatiba. Em Várzea Paulista e Jundiaí, 11 mil domicílios ficaram sem energia, segundo a concessionária CPFL Piratininga. O temporal em Sorocaba causou o transbordamento do Rio Sorocaba e deixou sob as águas parte de um bairro e da principal avenida da cidade. Deslizamentos interditaram casas em Cabreúva e Alumínio.


