Curitiba - Um levantamento preliminar realizado pela Coordenadoria da Defesa Civil Estadual com informações repassadas pelos municípios atingidos pelas fortes chuvas até o final de junho estima que o prejuízo em infraestrutura (pontes, estradas, prédio afetados), agricultura, mortes de animais, residências danificadas, entre outros problemas, deve ficar em torno dos R$ 200 milhões. O valor foi anunciado ontem durante uma reunião realizada no Palácio Iguaçu, em Curitiba, com os prefeitos e representantes de todos os 80 municípios em situação de emergência.
Neste encontro foram discutidas diretrizes para que as prefeituras, com apoio da Defesa Civil, elaborem planos de trabalho a serem encaminhados ao governo federal para obtenção recursos a fim de reconstruir estruturas danificadas ou destruídas. Conforme o tenente coronel Edemilson de Barros, chefe da Divisão da Defesa Civil do Paraná, o evento que causou tanta destruição está sendo tratado como o maior desastre natural da história do Estado, por causa do grande número de cidades afetadas.
O último boletim divulgado pelo órgão aponta que 165.704 pessoas em 120 municípios sofreram com as chuvas fortes. Das 13.939 famílias desalojadas, 1,2 mil ainda estão na casa de parentes e familiares; enquanto que das 1.852 desabrigadas, 707 continuam em abrigos provisórios.
"Assim que os planos de trabalho forem desenvolvidos teremos informações mais precisas e, com isto, saberemos o real panorama das cidades. Em alguns locais as águas ainda estão abaixando, então o prejuízo pode ser maior do que estamos esperando", ressaltou.
Barros lembra que desde 19 de junho, quando as chuvas começaram a cair com mais intensidade, toda a estrutura estadual está mobilizada para atender as famílias atingidas. O importante agora, segundo o coronel, é "conseguir quantificar os danos sofridos". "Temos visto que planos de trabalho mal executados resultam na não liberação de recursos. Então a preocupação é apoiar as cidades para elaborar documentos consistentes", reforçou.
Segundo o secretário estadual de Agricultura, Norberto Ortigara, ainda é cedo para falar em prejuízos na produção agrícola. Ele acredita que daqui a 15 dias seja possível ter um quadro real de tudo o que se perdeu. "Reconhecemos a situação dramática em muitos municípios, principalmente no Noroeste", afirmou.

Desespero
O prefeito de Querência do Norte (Noroeste), Carlos Benvenutti, informou que a situação está "alarmante" na cidade. Segundo ele, cerca de 1,7 mil cabeças de gado morreram afogadas e diversas plantações foram perdidas na enchente. "'Ainda estamos somando os estragos. Graças a Deus a chuva parou mais ainda há muito a ser feito, muitas estradas estão intransitáveis e agricultores estão isolados. Nem com trator conseguimos chegar nestes locais", contou. Somente em estrutura comprometida pelas chuvas, os prejuízos chegam a R$ 2,5 milhões, segundo Benvenutti. "Se incluirmos as perdas particulares este valor sobe e muito."
Célia Cabreira de Paula, prefeita de Campina da Lagoa (Centro-Oeste), também informou que a zona rural do município foi bastante castigada, com famílias inteiras isoladas. Ela estima que, a princípio, o prejuízo com pontes danificadas e estradas chegue a R$ 2 milhões.
A preocupação é a mesma do prefeito de Pranchita (Sudoeste), Marcos Michelon. A cidade de pouco mais de 5 mil habitantes tem como principal fonte de renda a agricultura e, com as enchentes, boa parte da produção de trigo e milho se perdeu. "Além de perder totalmente o produto, a qualidade daquilo que foi salvo também ficou comprometida", ressaltou.

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