São Paulo, 29 (AE) - As chuvas voltaram a transtornar São Paulo hoje à tarde, um dia após a pior tragédia do ano na capital paulista. O temporal de ontem deixou 13 mortos, 12 deles num desabamento na zona sul.
Hoje, as chuvas provocaram sete deslizamentos de terra na zona sul e um na zona leste, sem vítimas. Alagamentos interditaram trechos da Marginal do Tietê e da Rodovia Raposo Tavares. O Aeroporto Internacional de Congonhas fechou para pousos das 15h40 às 16h, provocando atrasos nos vôos entre o Rio de Janeiro e São Paulo.
Segundo a Defesa Civil do Município, 20 pessoas morreram em consequência de enchentes e deslizamentos de terra desde janeiro na capital. O Córrego Pirajuçara voltou a transbordar hoje na região do Campo Limpo, alagando ruas e casas dos Jardins Maria Rosa e Taboão e Vila América.
Ilhados - Na Avenida Carlos Caldeira Filho, perto da Ponte João Dias, moradores puseram fogo em móveis e objetos estragados em protesto contra as cheias no local. Na divisa do município de Taboão e São Paulo, as águas invadiram as pistas da Avenida Francisco Morato e da Rua José Félix. O Córrego Mirandas, afluente do Pirajuçara, também transbordou, inundando parte do Jardim Nadir.
Vários motoristas ficaram presos em seus veículos na Estrada de Itapecerica da Serra, próximo à Estrada de Campo Limpo, por causa do transbordamento do Córrego Capelinha. A Avenida Carlos Caldeira Filho voltou a ser inundada pelas águas do Córrego Morro do S, já canalizado pela Prefeitura. As águas ameaçavam invadir a Escola Municipal Professor Ricardo Vitelo, na Rua Marmeleira da Índia.
Na zona leste, o Córrego Aricanduva saiu do leito e invadiu ruas e avenidas. Na esquina das Avenidas Aricanduva e Tumucumaque, o nível das água chegou a mais de 1 metro, fazendo que os carros boiassem. O mesmo ocorreu no cruzamento com a Avenida Itaquera.
Sob o Complexo Viário Aricanduva, na Radial Leste, as águas do Aricanduva juntaram-se às do Tietê, que também transbordou. A Marginal do Tietê ficou intransitável naquele trecho. Na Mooca, uma árvore caiu sobre a casa de número 49 da Rua Geraldo Corrêa. Não houve vítimas.
Na zona oeste, o Córrego Itaim transbordou e cobriu as pistas da Rodovia Raposo Tavares, no km 19, provocando congestionamento de 10 quilômetros. Também houve delizamento de terra nas obras do Rodoanel, no km 18.
Segundo o Centro de Gerenciamento e Emergência da Prefeitura, os piscinões funcionaram. O da Avenida água Espraiada acumulou 300 mil metros cúbicos de água.
Moradores - Avaliar os prejuízos, limpar as casas e calçadas e ajudar os vizinhos. Essas foram as tarefas que restaram aos comerciantes e moradores da região do Córrego Aricanduva.
Às 19h15, depois que a água baixou, o dono da churrascaria Gauchão Grill, Juarez Rigo, esperava o conserto de sua picape na oficina que fica em frente do local onde teve de parar o veículo.
Rigo, porém, estava mais preocupado com a churrascaria, que fica na Rua Ulisses Cruz, no Tatuapé. A casa, com capacidade para 600 pessoas e cerca de 100 funcionários, ficou alagada. Pelos seus cálculos, as chuvas de hoje e ontem já lhe causaram prejuízo de aproximadamente R$ 14 mil.
Já a estudante Sandra Melo não conseguia chegar em casa, na Rua Doutor álvares Rubião, na Penha. Sandra estava a 500 metros dela, às 15h, mas a enchente a impedia de caminhar. Ela acreditava que a água só baixaria às 20h.
Raio - Em Jacareí, um raio matou hoje à tarde o operário Francisco Bicudo, de 28 anos, no bairro Campo Grande. Ele seguia para casa de bicicleta quando foi atingido por uma descarga elétrica. Bicudo entrou em coma em seguida. Os bombeiros o levaram para a Santa Casa, onde ele morreu. (Colaboraram Júlio Ottoboni e Ricardo Mendonça, especial para a AE)

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