Chuvas aquecem economia nas regiões agrícolas de SP
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sexta-feira, 07 de janeiro de 2000
Por José Maria Tomazela 
Sorocaba, SP, 07 (AE) - As mesmas chuvas que trouxeram transtornos para moradores de áreas urbanas estão "salvando a lavoura" de centenas de cidades do interior que têm sua economia sustentada pela agropecuária. Em Itapetininga, a 160 quilômetros de São Paulo, os 4.500 produtores de milho estão eufóricos com a chegada das águas a tempo de salvar os 52 mil hectares de milho que estavam ameaçados pela estiagem. "Graças às chuvas, podemos esperar uma produção de 70 sacas por hectare, o que significará uma receita de aproximadamente R$ 55 milhões para esta região só com o milho", disse o diretor regional da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, José Manoel de Vasconcelos.
Segundo ele, a maior parte da produção está nas mãos de pequenos produtores que vão reinvestir na terra. "O dinheiro vai gerar consumo na cidade e empregos no campo." As chuvas, que atingiram média de 150 milímetros na região, melhoraram também a situação das pastagens, beneficiando outros cinco mil proprietários rurais que criam 335 mil cabeças de gado para corte e leite. Os 300 mil hectares de pasto, base da alimentação do rebanho, estavam exauridos pela estiagem, que ocorria desde maio, e os produtores tinham custos adicionais para tratar o gado, segundo Vasconcelos. Alguns criadores tiveram perdas de vacas e bezerros por falta de água para beber.
"Ainda precisa chover um pouco mais para garantir pasto suficiente para o inverno", alertou. Os produtores de batata - são cultivados 6.500 hectares com produção de 20 toneladas por hectare - também esperavam as chuvas para recuperar o nível das represas e mananciais usados para irrigação das lavouras.
Na região que vai de Paranapanema a Assis, os produtores começaram a preparar a terra para o plantio da safrinha do milho
que ocorre a partir do fim do mês. A compra de insumos, como adubos e sementes, foi retomada em cidades como Taquarituba, Itaí e Avaré. "Estamos voltando a realizar boas vendas", disse o comerciante Ideo Kawamoto, proprietário de revendas de fertilizantes na região de Avaré.
Na região de Itararé, maior produtora de feijão do Estado, a mudança nas condições climáticas não ocorreu a tempo de salvar a safra do feijão. A produção esperada, de 70 sacas por alqueire, ficou a menos da metade. "Além da queda na produção, o agricultor enfrenta o problema dos preços baixos", disse o presidente do Sindicato Rural de Itararé, Isaac Pinto. O agricultor Achim Schudt, um dos maiores produtores de feijão, milho e trigo da região, não estava conseguindo colocar no mercado 7 mil sacas de feijão. O preço de mercado, de R$ 30,00 a saca, é considerado muito baixo.
"Para tirar o custo, ele teria que vender a pelo menos R$ 50,00 a saca", disse Pinto. Mesmo assim, os produtores comemoraram a volta das chuvas, que possibilitarão o planejamento da safra da soja, feita através de plantio direto. Em São Miguel Arcanjo, os produtores ficaram satisfeitos com o atraso das chuvas.
"Chegaram na hora certa, pois os cachos estão formados e com bom teor de açúcar", disse o agrônomo Alcindo dos Santos Terra Júnior, presidente da Associação dos Viticultores (Aviti). Se viessem na época normal, em outubro ou novembro, influiriam na qualidade da uva, reduzindo a doçura dos frutos, segundo explicou.
Nesse período, a chuva é necessária para repor os mananciais que serão usados para irrigação. A safra de uvas finas, em fase inicial, pode garantir uma receita de R$ 40 milhões para os 1.200 produtores. Eles esperam colher cerca de 40 mil toneladas em 1.600 hectares. "A nossa previsão é de uma supersafra, por isso estamos em busca do mercado externo", disse Terra Júnior. Uma delegação do município viajou à Europa para realizar negócios. Os primeiros embarques devem ocorrer na próxima semana.
"Esperamos exportar 250 mil caixas de 5 quilos", afirmou. A colheita da uva está absorvendo toda a mão de obra disponível no município de 35 mil habitantes. "Estamos pagando bem e ainda sim está difícil encontrar trabalhadores", disse o produtor Antônio Celso Mossim. O comércio local, na expectativa de realizar vendas, ampliou seus estoques.


