Curitiba - A chuva que começou na noite do último sábado e terminou no domingo à tarde, com duração de quase 30 horas, voltou a atingir o Litoral. O medo dos moradores e do prefeito de Morretes, Elder Teófilo dos Santos (PMDB), é que, com a continuidade da chuva a situação se torne novamente crítica no município.
O prefeito de Morretes ainda não contabilizou os prejuízos, mas adiantou que mais de 100 quilômetros de estradas rurais foram afetadas e muitos bueiros ficaram entupidos. Ele deve ir hoje para Curitiba para conversar com o governador em exercício e secretário de Estado da Agricultura, Orlando Pessuti (PMDB). ''Durante a reunião devemos estimar os prejuízos e discutir alternativas para repor o que perdemos'', declarou o prefeito.
A chuva forte e contínua do fim de semana causou sérios danos ao litoral paranaense. Os municípios mais atingidos foram Morretes, onde houve o transbordamento dos rios Nhundiaquara, Marumbi e Rio do Pinto; e Paranaguá. Mais de 350 famílias ficaram desabrigadas. Em Morretes, Acir Angeli Conti, 44 anos, morreu de infarto após ser resgatado da casa alagada. Em Paranaguá, o carroceiro Reinaldo Cipriano está desaparecido depois de ter sido arrastado pelas águas quando atravessava um córrego. Seu cavalo foi encontrado morto.
Em Morretes, a água invadiu várias ruas da cidade e chegou a 60 centímetros de altura em lojas e casas. Segundo o Corpo de Bombeiros, 312 pessoas ficaram desabrigadas. Também houve desabrigados nos balneários de Canoas e Shangri-lá, no município de Pontal do Paraná. Em Morretes os desabrigados foram alojados na Escola Estadual Rocha Pombo. Ontem pela manhã, muitas pessoas já haviam retornado para suas casas, restando ainda cerca de 100 desabrigados no alojamento improvisado na escola.
Segundo Elder dos Santos, a chuva foi a pior de todos os anos, pois atingiu o município de maneira generalizada. ''Os casos anteriores de alagamentos foram concentrados em determinadas regiões do município. Dessa vez, não. A cidade toda foi atingida.''
A Prefeitura de Morretes está arrecadando alimentos, colchões e roupas, para ajudar as famílias afetadas, através da Defesa Civil. As doações podem ser feitas diretamente na Defesa Civil de cada município.
Em Paranaguá, a situação foi semelhante, porém com menores impactos. Oito famílias, totalizando 40 pessoas, foram desabrigadas. Na BR-277, sentido Curitiba-Litoral, houve quedas de barreiras em vários pontos. Apesar disso, o trânsito não foi prejudicado. As quedas foram pequenas e logo resolvidas por equipes de apoio.
Segundo o Simepar, a chuva contínua não foi atípica, mas intensificada pelo aquecimento maior das águas do Oceano Atlântico combinada à frente fria que passo pelo Estado durante a semana passada. A previsão do Simepar é de que a garoa permaneça no Litoral até o final desta semana.

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