Chuva volta a causar transtornos em SP
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 1999
Por Fabiana Gitsio e Rosa Bastos 
São Paulo, 23 (AE) - Uma forte chuva hoje à tarde voltou a causar transtornos na capital. A Radial Leste, junto ao Viaduto Pires do Rio, no sentido centro-bairro, ficou intransitável. Houve pontos de alagamento em vários trechos da Marginal do Tietê, o que, porém, não impediu o fluxo de veículos. Às 17h30, a lentidão era de 47 quilômetros, índice considerado normal pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).
A água cobriu a Marginal próximo das Ponte da Vila Guilherme, do Tatuapé e Aricanduva e nos acessos à Via Dutra e Avenida Salim Farah Maluf. Também houve alagamento na Avenida Luís Dumont Vilares, em Santana, zona norte. Por causa da chuva, o Campo de Marte foi fechado. Prejuízos - Hoje, mesmo quem já se diz "escolado" contabilizava com revolta e perplexidade os prejuízos da chuva da véspera - quando foram mais afetadas as regiões sul e oeste. "Fico indignada de ser obrigada a pagar impostos à Prefeitura", disse hoje a aposentada Elza Santos, moradora há quase duas décadas do número 85 da Rua Santa Luzia, na Vila Santa Luzia, zona oeste. Apenas neste ano ela já enfrentou três enchentes do Córrego Pirajuçara. Desta vez, perdeu TV, cadeiras, uma mesa e o guarda-roupa.
Segundo ela, a renda da família não ultrapassa R$ 700,00, dos quais R$ 250,00 se referem a taxas municipais. Sua aposentadoria perfaz R$ 150,00 mensais e seus filhos estão desempregados. Assim, Elza já sabe que, mais uma vez, precisará contar com doações de móveis e utensílios. "As pessoas doam, mas sempre acabo perdendo tudo". A família já pensou em vender a casa, mas desistiu por causa da desvalorização que o imóvel sofreu por estar em lugar de enchente. Sem ter o que fazer, Elza hoje já se preparava para a próxima cheia: o pouco que restou foi posto no quarto, em cima de um beliche.
A funcionária pública municipal Dirce Camargo Cocais, moradora da casa da frente há 23 anos, perdeu apenas o tapete ontem, mas era a mais inconformada. "Esse prefeito é o pior de todos", afirmou ela, lembrando de promessas não cumpridas por ocasião da grande enchente de 1.º de janeiro. "Cadê o piscinão que ele disse que ia fazer?. "Prejuízo - Moradores e comerciantes da Avenida Vicente Rao, no mais nobre mas nem por isso poupado bairro do Brooklin, na zona sul, passaram a manhã de hoje também contabilizando os prejuízos e limpando os seus imóveis. Caminhões da Prefeitura retiravam o barro da via e da Avenida Roque Petroni Júnior.
Carlos Neves Pereira, funcionário de uma clínica de estética no número 1.887 da Vicente Rao, garantiu que, depois da cheia de ontem, a proprietária já pensa até em mudar de endereço. "As clientes acabam desistindo".
Precavido, Aristides de Paulo Leite, proprietário de uma escritório de compra e venda de automóveis na avenida, tratou de colocar vedações no portão para proteger imóvel e clientes. "Eu nem comento com eles sobre esse problema". Zona norte - A zona norte é referência clássica quando o assunto é enchente. Mas a casa das irmãs Adriana e Francisca Araújo de Melo, no número 113 da Rua Pedro Osório Filho, na Cachoeirinha, está com um problema absurdo por causa da força das águas. Há 15 dias, quando choveu muito na região, parte do quintal afundou, formando um buraco de 2 metros de comprimento por 1,5 de largura, que dá direto no pequeno Córrego do Barro Preto.
É fácil imaginar o pânico das duas quando começou a tempestade de ontem."Quando chove, pedimos a Deus que segure até que a Prefeitura tome alguma providência", contou Francisca.
O secretário de Serviços e Obras, Alfredo Mário Savelli, disse não ter recebido nenhum relatório sobre falha nas bombas do Córrego água Espraiada. Ele afirmou que três piscinões podem ser construídos até o segundo semestre do próximo ano no Córrego Piraçujara.


