Chuva reduziu em 95% incêndio em RR
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quarta-feira, 01 de abril de 1998
Agência Estado 
A falta de dados precisos sobre o incêndio que atingiu Roraima atrapalha o trabalho dos observadores da Coordenação e Assessoramento de Desastre da Organização das Nações Unidas (ONU), desde segunda-feira no Estado. O governador Neudo Campos (PPB) não sabe exatamente de quanto é a área atingida pelo fogo e quais os recursos necessários para saúde, agricultura e alimentação. Desde o princípio do incêndio, há mais de dois meses, há divergências entre as estimativas do governo do Estado, que chegou a divulgar a destruição de 25% de Roraima.
As chuvas conseguiram reduzir em mais de 95% o incêndio que atingia Roraima. As imagens de satélites coletadas ontem pela manhã por técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa), indicavam a existência de apenas um foco expressivo no Norte do Estado, pequenos focos de fogo no leste, próximo à reserva indígena Raposa Serra do Sol e queimadas limitadas no Sul, com poucas chances de propagação. Pela avaliação técnica da Embrapa, em 48 horas o fogo em RR estará extinto.
Os observadores da ONU sobrevoaram ontem as áreas atingidas pelo fogo. O que mais impressionou os delegados da ONU, segundo assessores que os acompanharam, foi a grande quantidade de novos assentamentos de colonos na região de Apiaú, a área mais atingida. A ONU poderá vir a avaliar a possibilidade de abrir uma linha de financiamento para tentar mudar a prática de queimadas no Brasil.
Quando o fogo começou a se alastrar por Roraima, o governo anunciou que 25% do território estava queimando. Depois, Neudo Campos reduziu a estimativa para 3% e, recentemente, técnicos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) calcularam que o fogo havia atingido entre 13% e 17,2% de Roraima.
Uma avaliação preliminar das organizações não-governamentais Amigos da Terra e Grupo de Trabalho da Amazônia (GTA) constatou que o incêndio de Roraima poderá ter emitido, ou está emitindo, cerca de 125 milhões de toneladas de carbono na atmosfera. A conclusão foi baseada em dados sobre a biomassa de diversos tipos de vegetação e utilizando uma taxa de eficiência de queima e requeimas. Segundo as ONGs, as taxas de emissão de carbono são equivalentes às emitidas durante uma década inteira na Grande São Paulo.
Pelas previsões da Embrapa, feitas com o Exército, as chuvas dos dois últimos dias elevarão os níveis dos rios Mucajaí e Catrimani, dentro da área ianomami. A principal e mais espetacular consequência das chuvas foi uma redução quase completa (em mais de 95%) dos pontos de incêndio e queimadas no Estado, diz o boletim da Embrapa. Pela avaliação dos técnicos, as possibilidades de o incêndio voltar são pequenas, já que a vegetação natural está molhada, aumentou a umidade relativa do ar, houve queda de temperatura e os ventos diminuíram.
Na análise, os técnicos alertam para o risco de novas queimadas por agricultores e índios. Em poucos dias de sol as árvores derrubadas antes do incêndio já estarão secas e prontas para serem queimadas. Mas a propagação do fogo é improvável. Estamos mantendo a proibição de fazer novas queimadas, até que a situação esteja completamente normalizada, afirma o presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eduardo Martins.
Martins vistoriou ontem, em Apiaú, a área mais atingida pelo fogo. Segundo o presidente do Ibama, ainda não há como avaliar os danos ambientais e nem prever o renascimento da flora rasteira, a mais atingida. Teremos que levantar mais dados mas, em 45 dias, pelas imagens de satélites, a avaliação preliminar estará pronta, diz.


