Salvador, 29 (AE) - A região nordeste da Bahia vai perder pelo menos 35% da safra de feijão por causa do excesso de chuvas. Na região de Ribeira do Pombal, localizada no semi-árido, a previsão de 92 mil toneladas de feijão caiu para 60 mil, um desempenho inferior ao de 1998, quando foram colhidas 80 mil toneladas.
O fim de uma estiagem de cinco meses coincidiu com o período da semeadura e floração, mas os produtores não esperavam que fortes chuvas voltassem à região nos dias que antecediam a colheita, prevista para este mês. O excesso de chuva em meados de agosto deixou submersa grande parte da plantação.
A chuva veio na época de amadurecimento da planta, quando ela mais precisa de sol para completar o seu desenvolvimento. Segundo o gerente regional da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), Antônio Brito, o fenômeno foi uma surpresa para os técnicos. "A chuva se concentrou em 10 dias de agosto, chegando a 219 milímetros, quando a média histórica é de 100 e bem distribuídos ao longo do mês", disse. "Há 10 anos que estou aqui e jamais tinha visto uma chuva tão forte a ponto de prejudicar uma safra em uma região de seca."
Segundo Brito, os produtores mais prejudicados são os que plantaram até o início de junho, mas quem se antecipou e começou o plantio em abril terá condições de tirar mais feijão porque a plantação já havia amadurecido.
O feijão ocupa uma área de 118 mil hectares na região, a terceira maior produtora da Bahia, superada apenas por Irecê, na região central, e Barreiras, no Oeste. Em municípios como Adustina, Nova Soure, Itapicuru, Paripiranga e Cipó, a perda chega a ser total na maioria das plantações.
Metade do feijão cultivado pelos 35 mil pequenos e miniprodutores do Nordeste baiano é distribuída na Bahia e outra parte vai para estados vizinhos. A cotação da saca de 60 quilos está variando entre R$ 30 e R$ 35, a depender do prazo de entrega negociado com o intermediário.
Os agricultores que diversificaram a produção, plantando milho, terão mais chances de resistir à crise porque, ao contrário do feijão, a chuva aumentou de 800 para mil toneladas por hectare a produtividade na região.

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