A chuva que começa a atingir o Estado de Roraima nos próximos dias não deve ser suficiente para apagar o fogo, segundo previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O Estado deverá ter chuva esparsa em todo o seu território, nos próximos dias, segundo a previsão. Os índios ianomamis estão integrando a frente de combate contra o fogo em Roraima, ao lado dos bombeiros e do Exército.
De acordo com o meteorologista Francisco de Assis, do Inmet, a tendência para a semana é de pouca chuva, fraca, a exemplo da que foi observada em Boa Vista na noite de anteontem. As estações de pluviometria do Inmet em Boa Vista e Caracaraí nem chegaram a registrar a chuva de domingo.
De acordo com Assis, a chuva prevista não deve ser suficiente para apagar o fogo que atinge o Estado. A hipótese, entretanto, não deve ser descartada. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que divulga boletins meteorológicos para auxiliar no combate ao fogo, está divulgando apenas previsões com o prazo de 24 horas.
Segundo o meteorologista Prakky Sathiamurthy, os modelos de previsão para áreas próximas ao Equador não costumam ser válidos para vários dias. Ontem, o Estado de Roraima esteve coberto por nuvens durante todo o dia. O vento, soprando do nordeste para o sudoeste do Estado, apresentou velocidade variando de 20 km/h a 30 km/h.
Para Sathiamurthy, esses ventos, considerados fortes, são o maior obstáculo no combate ao incêndio. ‘‘A chuva ajuda, mas o vento alastra o fogo , disse.
A ação dos índios ianomamis no combate ao incêndio é mais intensa na aldeia Baixo Mucajaí, na parte oeste do Estado. Lá o fogo chegou a destruir o roçado da aldeia no início da semana passada e alguns focos a menos de dois quilômetros da maloca ‘‘espantaram a caça do local.
Segundo o Exército, os índios, que conhecem bem a região, podem indicar os caminhos e trilhas que facilitam a chegada aos focos. A participação dos índios ocorreu depois que o chefe ianomami sobrevoou a reserva em um helicóptero e observou a devastação.
Os focos de incêndio voltaram a surgir em regiões habitadas por índios, principalmente macuxis, em Pacaraima, na fronteira com a Venezuela. Segundo o Exército, esse focos seriam o resultado de queimadas provocadas pelos índios. Já o governador de Roraima, Neudo Campos (PPB), acredita que o fogo seja espontâneo nessa região. Em Pacaraima, foram combatidos focos na encosta da serra da região e em dois pontos na entrada da maloca do Bananal.

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