Jataizinho - A cheia do Rio Tibagi colocou o município de Jataizinho, na Região Metropolitana de Londrina (RML), em estado de atenção. O volume das águas na tarde de ontem atingiram 5,5 metros acima do nível normal, provocando inundações em vários bairros.
A área mais atingida foi o Conjunto de Chácaras, localizado às margens do rio, que conta com mais de 20 unidades. Doze famílias foram retiradas de suas casas pelo Corpo de Bombeiros. O frentista Leandro Silva conta que deixou tudo para trás e foi dormir na casa de parentes. "Importante é garantir a segurança da minha família. As coisas materiais a gente trabalha para reconquistar", afirmou.
Três equipes de bombeiros se revezavam no auxílio das famílias e monitoramento das áreas inundadas. Um morador que se recusou a deixar uma área de risco assinou um documento assumindo a responsabilidade pela decisão. "Continua chovendo e o rio enchendo, isso traz um risco muito grande a essa comunidade ribeirinha", observou o sargento Israel Justino.
A enchente interditou um dos acessos do Jardim Frei Timóteo. O Rio Jataizinho também transbordou em alguns pontos. Moradores da Vila Frederico Lucarewski, onde vivem cerca de 2 mil pessoas, assistiam a cena preocupados. "Se inundar tudo a gente não vai conseguir se dirigir para o centro", disse a dona de casa Sirlene Abrígio da Silva.
"A gente ergueu os móveis de casa para evitar prejuízos. Outra coisa que a gente faz é tampar a rede de esgoto porque quando há enchente a água volta para nossos quintais provocando um cheiro horrível", lamentou a vendedora Priscila Mailan.
"Estamos em estado máximo de alerta, avaliando se há necessidade real de decretação do estado de emergência. Estamos auxiliando famílias com veículos e pessoal para retirada de bens das suas casas", enumerou o prefeito Élio Duque (PDT).
Em Ibiporã, outra cidade da RML, sete famílias foram retiradas de suas casas pelo Corpo de Bombeiros. A maioria vive na Vila Pimenta, uma área de invasão às margens do Rio Tibagi.
"Compramos porque nossa condição não permitia outra coisa. Toda vez que chove forte inunda. Por sorte conseguimos tirar quase tudo de dentro da casa", disse o motorista Fábio Vieira. "A água veio de uma vez de madrugada. Meu avô perdeu o cavalo, que estava amarrado aqui perto e não deu tempo de retirá-lo", lamentou o servente Jeferson de Souza Bayer.
Alguns não quiseram sair. A água estava a menos de 15 metros da casa do aposentado Francisco Ferreira do Vale. "Vivo aqui há 15 anos e nunca aconteceu nada. Não vai ser dessa vez", disse.
A comerciante Vera Lucia da Costa Campos não teve a mesma sorte. Depois de resistir, foi obrigada a deixar a casa e a lanchonete de sua propriedade para trás. "Um pavor muito grande. Só consegui tirar algumas roupas. O resto deixei para trás e perdi quase tudo."
"Está chovendo em muitas regiões do Estado, o rio enche muito rápido e a água vem de uma vez. O problema é que há correnteza nessa região, situação que gera um risco muito grande para essa população ribeirinha", observou o tenente do Corpo de Bombeiros, Rene Augusto Bortolassi.

mockup