Chuva provoca caos em SP e no ABC; no interior houve uma morte
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2000
Por Marcus Lopes e Andréa Portella 
São Paulo, 26 (AE) - Os moradores de São Paulo e das cidades do ABC enfrentaram um dia caótico hoje com as chuvas que começaram na madrugada. Na capital, o Rio Tietê transbordou pela manhã e o trânsito na Marginal do Tietê ficou praticamente interrompido durante todo o dia. Os congestionamentos espalharam-se pelas principais vias da cidades e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou recordes de lentidão do ano tanto pela manhã quanto à tarde: 101 quilômetros às 10h30 e 129 às 19 horas.
No ABC, São Caetano do Sul, que há duas semanas havia decretado estado de calamidade por causa das cheias, voltou a enfrentar problemas. O transbordamento do Ribeirão dos Meninos alagou uma das principais avenidas da cidade, a Guido Aliberti. No Jardim Monte Líbano, na zona sul, dez casas desabaram e 12 foram interditadas por causa de um deslizamento. Não houve vítimas. No interior foi registrada uma morte. Tudo parado - A chuva começou na madrugada e logo pela manhã os efeitos foram sentidos no trânsito. Durante todo o dia os principais corredores viários tiveram trânsito lento. A situação mais grave foi registrada na Marginal do Tietê, entre as pontes das Bandeiras e Aricanduva. No trecho, a água invadiu a pista expressa nos dois sentidos. Nas Pontes do Limão e Casa Verde, a água invadiu a pista local no sentido Penha-Lapa.
Também houve alagamentos no mesmo sentido na altura da Ponte Presidente Jânio Quadros. No local, as duas pistas ficaram alagadas. O mesmo ocorreu de manhã na pista expressa da Marginal do Pinheiros, sentido Santo Amaro-Jaguaré, próximo à Ponte Engenheiro Ary Torres. Motoristas ficaram retidos durante horas na Marginal do Tietê. "Já estamos quase três horas parados, sem sair do lugar", dizia à tarde o segurança Fernando Férrer, de 32 anos, de uma escolta de caminhões.
Na zona sul, o motorista enfrentou problemas nas Avenidas 23 de Maio, dos Bandeirantes, Roque Petroni Júnior e Jorge João Saad. O transbordamento do Córrego Pirajuçara alagou várias ruas da região do Campo Limpo e prejudicou o tráfego na Avenida Francisco Morato. Às 14h30, a CET registrava ainda pontos de lentidão nas Avenidas Paulista, do Estado, Francisco Matarazzo, Elevado Costa e Silva e Radial Leste.
Ocorrências - A Defesa Civil do Município havia atendido, pela manhã, a 11 ocorrências, entre quedas de árvores, vistorias em residências e deslizamentos de terra. Em Perus, na zona oeste, várias casas foram alagadas em uma área próxima ao Rodoanel. Os moradores acreditam que a enchente foi causada por causa das obras da futura via expressa.
"Havia uma antiga várzea que foi aterrada para a construção", disse a empresária Aparecida Eva Kirst, dona de um empresa de bombas hidráulicas na Estrada Disandro. Hoje foi a segunda enchente em 20 dias e a água atingiu cerca de 40 centímetros de altura. Segundo a Assessoria de Imprensa da Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), haverá uma reunião amanhã (27) com os moradores do local para avaliar a questão.
A ocorrência mais grave foi registrada no Jardim Monte Líbano, na zona sul. Por volta de 6 horas, dez casas e barracos desabaram. Parte da Avenida Alda também veio abaixo. Um automóvel foi "engolido" durante o deslizamento. Cinco famílias foram encaminhadas para abrigos da Prefeitura e outras 18 foram para a casa de parentes e amigos.
Eram 2 horas quando o auxiliar de máquinas Cícero Lima do Nascimento perdeu o sono. Preocupado com a chuva, ficou observando a casa. Às 5 horas, segundo relato dele, as paredes começaram a rachar. "Falei para a minha mulher ficar alerta e tirei minha filha do quarto dormindo mesmo". Quando saía de casa, ele percebeu que havia esquecido a chave do portão. Arrebentou tudo e saiu correndo. "Só foi por o pé para fora e caiu tudo".
Como a dele, outras nove residências vieram abaixo. As casas e barracos foram construídas em uma área de risco, de acordo com informações do administrador regional de Santo Amaro, Marcos Roberto dos Santos. Ele negou que a regional tenha ignorado infiltrações na avenida, como acusaram moradores.


