Chuva prejudica escolas de samba do Rio
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 10 (AE) - Depois do incêndio, o dilúvio. Assim o diretor de barracão da Escola de Samba União da Ilha, Vilmar Dias Barbosa, define as complicações que a agremiação enfrenta este ano. "Em 11 anos de Ilha nunca vi um carnaval tão difícil", comentou ele hoje pela manhã, enquanto fazia um levantamento das perdas e o que precisa ser feito até o desfile de domingo. "Enfrentamos fogo no início do ano, tomamos banho esta semana, mas a escola vai fazer bonito porque a comunidade da Ilha do Governador em peso está batalhando para dar conta do que o destino nos aprontou."
O que evitou prejuízo maior foram as dezenas de quilos de jornais acumuladas no barracão. Pelo fato de o homenageado ser Barbosa Lima Sobrinho, o jornalista mais antigo em atividade no País, várias fantasias, alegorias e carros alegóricos usam jornais como matéria-prima. "Quando a gente viu a água invadindo, eles serviram de dique e salvamos muita coisa", conta Cristiano de Oliveira, assessor do carnavalesco Milton Cunha. Parte do material que ainda será usado também molhou, mas como é sintético, pode ser aproveitado.
Quando a chuva começou, por volta de 18 horas de terça-feira, o trabalho do dia estava encerrado e os cerca de 30 operários que dormem no barracão correram para salvar os carros alegóricos, que estavam ao ar livre, mas cobertos com plástico preto.
"O problema é que o vento e o granizo descobriram tudo e a decoração ficou prejudicada", contou Wilmar Barbosa. "Perdemos 10% do trabalho, mas a comunidade da Ilha é unida e salva a escola." Hoje pela manhã o presidente da Ilha, Jorge Gazale, o Peixinho, dava as coordenadas no barracão. Entre um telefonema e outro, ele explicou que não houve prejuízo financeiro:
"O susto com a chuva foi maior que suas consequências e não gastaremos para repor o que foi destruído". Só o carro preparado para o homenageado, o terceiro, que reproduz as grandes paixões de Barbosa Lima Sobrinho ("a família, a imprensa, o futebol e o País", explicou Cristiano de Oliveira) terá o piso refeito. Todo em papel jornal, está se desmanchando, mas como não vai ter ninguém além do jornalista sentado num trono e os binetos dele na parte superior, não será tão difícil.
Império e Vila- As escolas Império Serrano e Unidos de Vila Isabel também sofreram com a chuva. No barracão da Império, uma parede que divide seu espaço com a Caprichosos de Pilares caiu em cima do carro que reproduz a favela da Serrinha, em Madureira, zona norte do Rio, local onde surgiu a escola, e destruiu o trabalho de várias semanas. "Mas já estamos cuidando da recuperação do carro e o público não vai notar", garante Jorginho do Império, diretor da agremiação e filho de Mano Décio da Viola, um de seus fundadores.
Na Vila, o prejuízo foi de R$ 30 mil, porque o vento arrancou parte do telhado do barracão. As telhas destruíram um caranguejo gigantesco do carro da culinária e a escultura de uma índia, com cinco metros, que já estava pronta em outro carro, terá que ser repintada. Nada que não seja resolvido em pouco tempo. Pior foi o assalto que o tesoureiro da escola, José Brás,
sofreu no início da semana, quando saía de um banco. Desta vez, a Vila ficou sem R$ 50 mil.


