Chuva prejudica embarque de soja em Paranaguá
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de abril de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 23 (AE) - As chuvas que caíram praticamente durante os 20 primeiros dias de abril em Paranaguá, no litoral paranaense, prejudicaram o embarque da soja nos navios que chegam diariamente ao porto. Nos últimos dias, com o retorno do sol, o trabalho foi acelerado e a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) prevê normalizar o embarque até o fim da próxima semana. Para evitar a formação de filas, a programação de remessa de soja na semana passada foi suspensa. Na sexta-feira à tarde tinham sido embarcados em Paranaguá 1.362.863 toneladas de soja em grão, 10,7% a mais que no mesmo período do ano passado.
No fim de março, quando o clima e a cotação do dólar beneficiavam os responsáveis pelos navios e os exportadores, o volume de soja embarcado era 53% superior ao mesmo período de 98. Também em consequência da chuva, o volume de farelo de soja exportado até sexta-feira era de 820.120 toneladas, 29,5% a menos que no mesmo período do ano passado.
A Appa estima que, até o fim do período de embarque da safra, previsto para setembro, deverão passar pelo Corredor de Exportação cerca de 4,5 milhões de toneladas de soja em grão. No ano passado o volume chegou a 4,1 milhões de toneladas. O complexo soja, que inclui, além dos grãos, o farelo e o óleo, foi responsável por 10,1 milhões de toneladas, ou metade de todo o volume embarcado em 98 no Porto de Paranaguá.
Apesar do crescimento no volume de exportação da safra, a Federação das Empresas de Transportes do Paraná não ficou satisfeita com o valor do frete. "Não atendeu à expectativa", diz o diretor da federação, Sérgio Malucelli. Segundo ele, os preços estão variando entre R$ 30,00 e R$ 31,00 por tonelada, enquanto no ano passado ficava entre R$ 26,00 e R$ 27,00.
"A orientação da Associação Nacional de Transportes era para repassar o valor dos índices operacionais, mas é difícil porque há contratos e não se pode repassar os valores de uma hora para outra", afirma Malucelli. O analista de mercado da Cooperativa Central Regional Iguaçu (Cotriguaçu), de Cascavel, Fernando Muraro, disse que, para os produtores, a desvalorização cambial "veio no momento adequado". Da região oeste, atendida pela Cotriguaçu, os produtores já venderam cerca de 65% da soja, enquanto no ano passado, neste período, tinham vendido apenas 25%.
"Não dá para reclamar de nada, a não ser dos custos de produção", afirma Muraro. Mas, mesmo assim, a maioria dos produtores teve bons ganhos, chegando a vender a saca de soja por até R$ 17,00 no oeste. Na média, o preço ficou em R$ 14,00, acima da expectativa de R$ 10,00 feita por analistas.


