Chuva põe 48 municípios em alerta no RS
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terça-feira, 14 de outubro de 1997
Das agências Porto Alegre 
Já são 48 os municípios gaúchos em situação de emergência por causa das enchentes, informou ontem, no começo da noite, o sargento Mário Garber, da Coordenadoria da Defesa Civil/RS. Durante a tarde, oito prefeitos decretaram emergência. São Borja, Barra da Guarita, Barra do Rio Azul, Floriano Peixoto, Lajeado do Bugre, Itaqui, Espumoso e Campo Novo entraram na relação. O total de desabrigados passa de 720 famílias, cerca de três mil pessoas. A Defesa Civil acredita que, em 24 horas, número de cidades afetadas pelas enchentes deve subir.
A 621 quilômetros de Porto Alegre, São Borja enfrenta o maior problema. Extra-oficialmente, cerca de mil moradores das margens do rio Uruguai já haviam abandonado suas casas, invadidas pelas águas. Fora da relação dos 40 municípios afetados ainda pela manhã, São Borja enviou ontem o relatório de danos, oficializando sua inclusão entre os municípios atingidos. Também à beira do Uruguai, Barra da Guarita, Barra do Rio Azul e Itaqui tomaram atitude similar, segundo Garber.
Mesmo com a interrupção das chuvas em vários pontos do Estado, o rio Uruguai continua fazendo estragos. Com o mau tempo dos últimos dias na área de relevo acidentado do Alto Uruguai e do Sul de Santa Catarina, os aguaceiros que caíram nas suas cabeceiras e nos seus afluentes engrossaram o rio ao longo da divisa com a Argentina, provocando cheias nas Missões e fronteira sudoeste. As águas do Jacuí, Ibicuí e Taquari cresceram também, mas sem causar alarme.
O céu esteve nublado ontem, mas a previsão do 8º Distrito de Meteorologia, de Porto Alegre, adverte que hoje haverá pancadas de chuva. O quadro se repetirá amanhã.
A Prefeitura de Itaqui (RS) já removeu 202 casas de famílias residentes às margens do rio Uruguai, que estava nove metros acima do nível normal devido à chuva que começou na semana passada. As casas, de madeira, são construídas sobre toras, para serem puxadas quando ocorre cheia do rio. A Prefeitura de Itaqui (731 quilômetros a oeste de Porto Alegre, na fronteira com a Argentina) utilizou oito caminhões, três retroescavadeiras, duas carregadeiras e dois tratores na remoção. O secretário de Obras, José Longhinotti, disse que até o meio-dia de ontem 202 casas tinham sido removidas e que o número poderia chegar a 250 por volta da meia-noite. A operação começou no sábado e deve continuar até sexta-feira.
Longhinotti declarou que as casas estão sendo removidas rapidamente porque o rio deve subir mais. As casas são colocadas em terrenos distantes em média 300 metros das margens do rio Uruguai, onde não haja possibilidade de haver inundação. Depois da enchente, as casas são levadas de volta para o lugar onde estavam.


