São Paulo, 11 (AE) - Os milhares de motoristas que ficaram presos ontem e hoje na Marginal do Tietê precisaram de muita paciência para enfrentar a espera, o trânsito e, em alguns casos, a noite fria, a falta de comida, água e socorro. Desde a noite de ontem vários pontos de alagamento obrigaram a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) a montar bloqueios sob pontes passíveis de alagamento e os motoristas ficaram ilhados e com os carros submersos.
"Desta vez, houve alagamentos em quase todas as pontes", disse o coordenador de trânsito Paulo Roberto Milano. Até hoje à tarde o tráfego ainda estava complicado sob as pontes das Bandeiras, Casa Verde, Vila Maria e Aricanduva.
O motorista Teófilo Martins amargou 18 horas de congestionamento. O problema começou às 18 horas de ontem, quando saiu de São Bernardo, no ABC, para fazer entregas no Aricanduva. A enchente era tanta que ele dormiu no caminhão. Ao meio-dia, ainda estava ilhado. "Não aguento mais".
Desanimado com uma espera de três horas, o motorista João Batista Pinto subiu sobre seu carregamento de canos de PVC para confirmar, pela visão de uma fileira imóvel e infinita de veículos, o muito tempo que ainda levaria para chegar ao destino. "Tenho de cumprir a data de entrega da nota".
Outros tiveram motivos mais graves para lamentar a chuva. Quase uma centena de carros amanheceu enlameada sob o viaduto da Fernão Dias, depois que agentes da CET bloquearam a Ponte do Tatuapé. Os motoristas foram orientados a estacionar no canteiro central, onde "estariam seguros", mas acabaram acuados pela água, que ampliou o leito do rio sobre as pistas expressa e local.
"Tivemos de sair pela janela do carro, que ficou destruído", disse Sirley Nascimento. Ela e a família passaram a noite na Marginal, sem comida, bebida ou banheiro. Passageiros de carros e ônibus, na mesma situação, criticaram a CET. "Não tem nenhuma saída nesse trecho", reclamou Elaine Camasmie.
Só às 4 horas, bombeiros chegaram com um barco para retirar os ilhados. "Puxamos os carros no braço, quando a água baixou, às 10 horas", contou o industrial Francisco Molina. Cerca de 30 veículos arruinados continuavam no local até o meio-dia de hoje.

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