Chuva não anima cafeicultores em Minas Gerais
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quarta-feira, 08 de setembro de 1999
Por Raquel Massote 
Belo Horizonte, 09 (AE) - Apesar da ocorrência de chuvas esparsas em algumas regiões produtoras de Minas, os cafeicultores ainda não estão muito animados com a abertura da florada. De acordo com o superintentende do Departamento Técnico da Cooperativa de Guaxupé (Cooxupé), José Geraldo Rodrigues de Oliveira, as chuvas que atingiram o município durante a madrugada ainda são insuficientes para reverter a estiagem e a expectativa é que a florada ainda não aconteça. "Tomara que as flores não abram, porque se as chuvas não durarem muito as altas temperaturas poderão queimar os botões de flor", disse ele.
Em Varginha, conforme as informações da Estação de Avisos Fitossanitários do Ministério da Agricultura, ainda não foram registradas chuvas e o déficit pluviométrico já atinge 200 milímetros na região, contra os 171 milímetros registrados no final do mês de agosto e de 83,4 milímetros registrados no final do mês de julho. Já nas regiões do cerrado, o déficit pluviométrico atinge, em média, 200 milímetros, chegando em alguns municípios a 250 milímetros, como é o caso de Araguari. O índice máximo que o pé de café suporta são 150 milímetros. Na região do cerrado, que envolve 48 municípios e na zona da mata, ainda não foram registradas precipitações pluviométricas.
O presidente do CNC, Gilson Ximenes, estima uma perda da produção de 7 milhões de sacas este ano, em função da estiagem. Minas Gerais deverá colher este ano 11,7 milhões de sacas, sendo 6,5 milhões apenas na região sul do Estado. "Foi a maior seca que assisti nos últimos anos", diz ele. Mas, para o presidente do Conselho das Associações de Cafeicultores do Cerrado (Acaccer), Agnaldo José de Lima, as perspectivas são de uma perda de produção da ordem de 20% apenas na região do Cerrado. A região é responsável por uma produção de 2,6 milhões de sacas. Segundo Lima as estimativas são ainda de uma perda da produção de 10% no sul de Minas, 30% na região de Mogiana e 15% na zona da mata. O presidente da Acaccer prefere não mensurar os prejuízos, esperando que as chuvas se confirmem e a florada comece a ocorrer.


