Chuva mata sete em três dias no Rio
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sábado, 10 de janeiro de 1998
Agência Estado Rio de Janeiro 
France PresseNas ruasO centro do Rio ficou totalmente alagado. Muitas pessoas passaram a noite em escritórios, hotéis e até em carrosNos últimos três dias, pelo menos sete pessoas morreram em consequência das chuvas que castigam o Estado do Rio de Janeiro. Aeroportos e a ponte Rio-Niterói foram fechados, rios e canais transbordaram, ruas e avenidas estão alagadas e até o início da noite de ontem havia 930 pessoas desabrigadas em vários municípios do Estado. Muitos trabalhadores, principalmente os do Centro do Rio, passaram a noite de quinta para sexta-feira nos escritórios, hotéis ou até nos carros, em enormes congestionamentos.
Ontem a cidade amanheceu com tempo nublado e as chuvas voltaram. À tarde, voltou a chover forte e milhares de cariocas faltaram ao trabalho. Muitas pessoas ficaram em casa, tentando recuperar móveis e objetos. Mesmo assim, o prefeito Luiz Paulo Conde cancelou o estado de alerta máximo que havia decretado no dia anterior. O lixo da enxurrada do dia anterior estava nas ruas.
O diretor do Instituto Nacional de Meteorologia, Luiz Carlos Austin, disse que a quantidade de chuvas da quinta-feira foi superior ao registrado em um mês no Rio. Segundo ele, o índice pluviométrico médio mensal é de 120 a 130 milímetros, mas na quinta-feira na Praça Mauá, no Centro, foi registrado um índice de 184 milímetros e, em Jacarepaguá, 154 milímetros. Há previsão de pancadas de chuva hoje e amanhã, mas a situação começa a melhorar. De acordo com ele os temporais foram causados por uma frente fria que se deslocou da região sul do País.
O trânsito ficou caótico em quase toda a cidade. O coordenador da Defesa Civil municipal, coronel Nilton Barros, recomendou à população que ficasse em casa ontem. A coordenação de epidemiologia da secretaria municipal de Saúde alertou a população para o perigo da leptospirose (doença transmitida pela urina do rato). A Companhia de Limpeza Urbana retirou das favelas duas mil toneladas de lixo nos dois últimos dias. Pelo menos 316 ruas do Rio ficaram sem energia elétrica. O secretário estadual de Transportes, Francisco Pinto, determinou ontem que fosse prolongado em uma hora o horário dos trens, metrôs e barcas, até a meia-noite.


