Chuva mata 2 e fecha aeroporto em SP
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sábado, 06 de fevereiro de 1999
Agência Estado 
As chuvas intensas anteontem à noite provocaram pelo menos duas mortes em Guarulhos e deixaram o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, parado: os ventos destruíram instalações e impediram a saída e a chegada de 181 vôos internacionais e nacionais. Os reflexos do temporal espalharam-se por São Paulo ontem. Vítimas das enchentes bloquearam avenidas do bairro de Ermelino Matarazzo, na zona leste da capital, e os dois sentidos da Via Dutra. Os motoristas enfrentaram 17 quilômetros de congestionamento na estrada.
Em Cumbica, a chuva, acompanhada de ventos de até 120 quilômetros por hora, manteve o aeroporto interditado por três horas na quinta-feira, o maior período de fechamento desde a sua inauguração, em janeiro de 1985. Os aviões ficaram impedidos de pousar ou decolar das 18h55 às 21h45, segundo a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). Ontem passageiros de vôos internacionais ainda esperavam embarque.
O fechamento do aeroporto em Cumbica transformou o Aeroporto Internacional do Rio, na Ilha do Governador, em um acampamento. Durante a madrugada, centenas de passageiros dormiram nas cadeiras e no chão dos setores de embarque e desembarque. A maioria culpa as empresas aéreas pela falta de organização para lidar com o desvio, para o Rio, de 22 vôos nacionais e internacionais que deveriam ter pousado em São Paulo. Também houve problemas com os vôos que partiriam para São Paulo.
De acordo com a Defesa Civil, 51 bairros foram inundados em Guarulhos. Morreram Érica Cruz Moraes, de 8 anos, do Jardim Primavera, e Rogério Pereira Silva, de 14 anos, do Jardim Lenise. A menina afogou-se ao ser arrastada pela enxurrada. Rogério foi eletrocutado e encontrado morto na rua. O ferido em situação mais grave é Marcos Henrique Alves da Silva, de 8 anos. Ele foi soterrado em sua casa, no Jardim Jacy, e está na UTI do Hospital Carlos Chagas.
Um ônibus de turismo da empresa Gracimar foi arrastado pela correnteza quando trafegava sobre a ponte do Rio Baquirivu, que transbordou, nas proximidades do aeroporto. O local é um ponto tradicional de enchentes na cidade. A prefeitura tem um projeto de canalização, para o qual já há uma liberação pelo governo federal de R$ 20 milhões.
Na Via Dutra, foi necessária a interferência da Tropa de Choque da Polícia Militar e do 15º Batalhão de Polícia Metropolitana de Guarulhos para que a estrada fosse liberada e os bombeiros pudessem apagar o fogo provocado pelos manifestantes, que tomaram as pistas desde as 10h50. Ela só foi aberta ao tráfego às 14h40.


