Chuva forte traz mais destruição
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domingo, 29 de setembro de 2013
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - Duas árvores caíram na tarde de ontem depois de uma pancada de chuva forte em Londrina que começou no final da manhã. Uma foi na Rua Sebastião Honorato Nascimento, no Conjunto Hilda Mandarino (zona oeste), e outra na Avenida Vereador Rafael Lamastra, no Conjunto Milton Gavetti (zona norte). O motorista José de Almeida, de 67 anos, relatou que a árvore caiu sobre o seu carro e danificou a lataria. Suas vizinhas, Maria José Mazia, de 48, e Elizabete Aparecida de Almeida, de 29, moram diante da árvore e relatam que tudo foi muito repentino. Elas destacaram que a árvore vinha sendo consumida por cupins e que já haviam solicitado o corte dela, mas ninguém tomou providências.
A chuva também provocou o cancelamento de um voo da TAM que sairia de Londrina às 11h13 com destino a Guarulhos. No final da tarde, o aeroporto voltou a operar por instrumentos e os passageiros foram realocados em outros voos.
No Jardim Nova Olinda 2 (zona oeste), os prédios da Cohab na Avenida Clarice Lima Castro permanecem destelhados desde o temporal da semana passada, deixando os serviços de internet por rádio, TV por assinatura via satélite, e TV comum inoperantes. Na tarde de ontem, a chuva infiltrou pela laje e molhou os apartamentos de cima. O supervisor de um dos prédios, Maycol Willian Assis, reclamou da morosidade da Caixa Econômica Federal, financiadora e responsável pelo seguro dos imóveis. "Meus vizinhos de cima têm coberto os móveis com lona para que a água não estrague nada. O que me estranha é que estes prédios foram entregues com as vigas dos telhados feitos de pinus, material que é inapropriado para sustentar um telhado", critica. A assessoria de imprensa da Caixa não foi localizada pela FOLHA para comentar a situação.
Problemas antigos
Na Rua André Kramer, também no Jardim Nova Olinda 2, uma árvore está interrompendo o fluxo da via há uma semana, desde o vendaval do dia 22. Os moradores tem reclamado do problema aos bombeiros, à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), mas ninguém resolveu o problema. O escritor José Roberto de Assis, de 53, afirma que se mudou da Bahia para cá há poucas semanas e nunca viu tamanho descaso. "Eu era de Luiz Eduardo Magalhães, que é uma cidade pequena e lá não acontecia este tipo de coisa não", reclama.
Uma semana após o vendaval que atingiu Londrina, muitas casas permanecem com seus telhados quebrados. O cenário da casa do motorista Irineu Ricardo da Silva, de 47, na Rua José Geraldo Canezin, é desolador. Ainda ontem, ele estava com sua casa destelhada e voltou a sofreu com a chuva. Ele destaca que seu televisor, sua geladeira, sua máquina de lavar e seu computador ficaram inutilizados pela água que caiu sobre eles. Com lágrimas nos olhos, ele relata que não está trabalhando desde janeiro, devido um acidente de trânsito que sofreu. Ele não sabe mais o que fazer, já que nos últimos meses vem sobrevivendo com a ajuda e solidariedade de amigos. "Perdi tudo o que tenho", declarou emocionado.
Em outras casas do bairro, há relatos de pessoas que tiveram que deixar suas casas depois que os telhados vieram abaixo com o temporal. Há também quem remendou a cobertura de suas casas com retalhos de telhas quebradas, mas que ainda assim não estão livres das goteiras. O pedreiro José Faustino é um deles. Ele conta que tem colocado pratos, bacias e outros recipientes para coletar a água proveniente dos buracos nas telhas e tem utilizado uma lona para cobrir a cama.
A Defesa Civil informa que, desde a última semana, 69.235 pessoas foram afetadas pelas chuvas e temporais. São 13.212 residências danificadas e seis destruídas. Das 3.639 pessoas que estavam desalojadas, 1.943 permaneciam nessa situação até ontem. Ao todo são 50 desabrigados, 27 pessoas em abrigos e 47 feridos.


