Chuva forte pára centro de São Paulo
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quarta-feira, 04 de março de 1998
Das agências 
Luiz Prado/Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
CaosÔnibus e carros tentam passar em ponto de alagamento no centro de São Paulo, na área de acesso às Avenidas 23 de Maio e 9 de JulhoUm temporal, com ventos de até 130km/h, atingiu São Paulo ontem à tarde, provocando o caos no trânsito do centro da cidade e alagamentos em diversos pontos da capital. O vendaval entortou 15 metros de uma torre de 108 metros de altura que fica um edifício na Avenida Paulista. O acidente causou pânico entre as pessoas que passavam pela avenida, que acabou sendo interditada. As fortes chuvas foram provocadas pela formação de áreas de instabilidade. O forte calor junto com a umidade que vem do mar criou grandes núcleos de nebulosidade sobre a cidade favorecendo as pancadas fortes de chuva.
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) considerou catastrófico o trânsito na região central de São Paulo ontem no final da tarde e início da noite. Nunca vi uma chuva tão forte em tão curto espaço de tempo. A situação do trânsito foi catastrófica, afirmou o engenheiro Ricardo Teixeira, gerente de operações da CET. A forte chuva provocou 40 pontos de alagamento, quase todos intransitáveis.
A região mais afetada foi a do túnel sob o Vale do Anhangabaú, que voltou a ficar completamente alagado. O trânsito ficou bastante complicado por toda a cidade. Além dos pontos de alagamento, vários semáforos apagados contribuíram para piorar a situação. Às 18h30, a CET registrava 133 quilômetros de congestionamento. Segundo Teixeira, as bombas que deveriam retirar a água que entra no túnel sob o Vale do Anhangabaú não aguentaram o volume da chuva. Rapidamente, toda a região ficou alagada.
A torre que entortou com a força do vento, instalada sobre o edifício Asahi, na Avenida Paulista, sustenta antenas que são exploradas pelas emissoras Rede Vida e Rede Mulher. O engenheiro Marcelo Araújo, da empresa Telecivil, responsável pela manutenção da torre, acredita que os ventos devem ter atingido 130 km/h. A torre foi projetada para aguentar ventos de até 120 km/h. Os parafusos utilizados nas antenas são do tipo A-325, considerados os mais resistentes do mundo , disse Araújo.
Os ventos, no entanto, arrancaram pelo menos três desses parafusos, entortando a torre, que pesa 350 quilos. Quinze metros da antena penderam para o lado da avenida Paulista. A antena ficou presa por 12 dos 32 cabos que a sustentavam. Uma das janelas do edifício Asahi foi quebrada. A avenida ficou interditada das 15h30 às 17h30 nos dois sentidos, entre a rua Peixoto Gomide e a alameda Campinas. A partir desse horário, foi liberado o sentido Paraíso. O sentido Consolação permaneceu interditado até as 19 horas.


