Chuva diminui no Vale do Ribeira
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de março de 1998
Agência Estado 
Maurilo Clareto/AE
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
O sargento Edson Lima Muniz chega de barco à casa de José Antônio Lameo, que ficou ilhado com sua famíliaA chuva deu uma trégua no Vale do Ribeira, no sul de São Paulo, mas a cheia do Rio Ribeira de Iguape continuou a castigar as cidades da região ontem. A onda de destruição da água - lenta, mas poderosa - chegou ontem a Registro e já seguiu rumo a Iguape, que vai ser atingida hoje.
Durante a madrugada de ontem, o nível do Rio Ribeira de Iguape, próximo a Registro, subiu de dois a três centímetros por hora. O pico previsto no município era de 6,3 metros. Com isso, aumentou o trabalho das equipes de resgate para socorrer as pessoas ilhadas em bairros isolados ou que insistiam em permanecer nas suas casas.
O número de pessoas que estão fora de suas casas, entre desabrigados e desalojados, permaneceu quase inalterado. Segundo o diretor do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) do Vale do Ribeira, Ney Ikeda, cerca de quatro mil pessoas estão nessa situação. De acordo com a Defesa Civil, 1,2 mil casas estão debaixo da água em Registro.
As embarcações foram o único meio de locomoção por alguns bairros mais ribeirinhos de Registro. A dona de casa Vinina Camargo, de 59 anos, resistiu até a água da inundação do Rio Ribeira de Iguape atingir, ontem pela manhã, a porta de sua casa para levar seus dois filhos a um lugar mais seguro. Não queria dar trabalho a ninguém, afirmou ela. Ontem, porém, os bombeiros foram de barco resgatar a sua família.
Primeiro, foi levado José Antônio Lameo, de 39 anos, numa cadeira de rodas. Na segunda viagem, foram Vinina e o outro filho, Luiz Carlos Camargo, de 26 anos, que sofre de epilepsia.
Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros de Registro, o tenente Marco Antônio Basso, que auxiliou no resgate da família de Vinina, ainda serão feitos muitos resgates nos próximos dias. O sargento Edson Lima Muniz afirmou que nesta enchente teve até de resgatar um corpo que estava sendo velado. Não é fácil, frisou Basso.
Essa rotina deve permanecer por mais seis dias, até que as águas do rio atinjam seu nível normal. As prefeituras do Vale do Ribeira e a Defesa Civil estadual já começaram a distribuição de cestas básicas, remédios, colchonetes e roupas aos desabrigados.
A cheia deste ano mostrou que as prefeituras, as defesas civis municipais e estadual e o Daee estão aperfeiçoando os estudos relativos à vazão do Rio Ribeira do Iguape. Com postos de observação do nível da água nos municípios a partir de Iporanga, o Daee estima o volume de água hora a hora e informa aos municípios como serão afetados.
Conseguimos prever com precisão o quanto subirá o rio e que regiões serão afetadas, o que não ocorre na capital, comparou o diretor regional do Daee Ney Ikeda. Isso não impede, porém, os prejuízos. Nos últimos 15 dias, só em Registro foram três inundações. (Leia mais sobre a enchente no Vale do Ribeira no Folha Cidades)


