Londrina - A trégua das chuvas ontem evidenciou um rastro de destruição e transtornos em Londrina. Vias interditadas, pontes afetadas e desmoronamentos são apenas alguns dos problemas evidenciados. Houve registro de 28 quedas de árvores. O prefeito Barbosa Neto (PDT) decretou estado de emergência.
O Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) registrou 195 milímetros de chuva na última terça-feira - 249,8 mm em quatro dias. Com o solo encharcado, o Lago Igapó, cartão postal da cidade, transbordou. Não chovia tanto assim em junho no município desde 1997. Para a Defesa Civil do Paraná, 50 mil londrinenses foram afetados pelo temporal.
Os maiores problemas foram verificados ao longo bacia do Ribeirão Cambezinho, um dos mais compridos da cidade com cerca de 27 quilômetros de extensão, e seu represamento forma os vários lagos Igapó. Parte da barreira de proteção da Rua Almeida Garret, ao lado da barragem, desmoronou.
A interdição dos dois sentidos da via desagradou motoristas. ''Vou ter que ir até a PR-445? Que volta'', reclamou Luiz Carlos Novak. Ele tentava ir da Rua da Canoagem até a Avenida Harry Prochet, menos de 300 metros de distância, e teve que percorrer quase quatro quilômetros para chegar ao destino final.
A poucos metros da barragem houve o deslizamento de toneladas de terra para o interior do Ribeirão Cambezinho, às margens da Avenida Duque de Caxias. Centenas de peixes mortos foram retiradas do Lago Cambezinho, no interior do Parque Arthur Thomas. ''Os peixes morreram dada a força da água. Eles foram lançados contra a estrutura de cimento da barragem e morreram esmagados. Nunca tinha visto nada igual'', disse impressionado o secretário do Ambiente, Gilmar Domingues.
Pelo menos duas pontes na área urbana foram afetadas: a da Avenida Castelo Branco está interditada parcialmente. A pista sentido bairro-Centro foi fechada para o tráfego. Um poste de energia caiu e abalou a estrutura da ponte. A outra, que fica no Jardim Bandeirantes, já havia sido destruída pelas chuvas de outubro passado. A obra de reestruturação foi invadida por toneladas de terra e os trabalhos suspensos até a limpeza.
Dois carros que tentaram cruzar a ponte sobre o Ribeirão Cafezal, no Conjunto de Chácaras São Miguel (Zona Sul), foram arrastados pela força da água na manhã de ontem. Uma Kombi foi parar no leito, uma pessoa ficou ferida, mas sem gravidade. ''Foi um susto muito grande'', comentou o servente de pedreiro, Guinter Keona da Silva. Ele estava em outro veículo com mais três amigos. O grupo tentava chegar ao trabalho.
A chuva provocou o rompimento de uma tubulação de abastecimento de água na Zona Sul. Milhares de moradores do Jardim União da Vitória foram afetados. ''A água acabou de madrugada. Toda vez que chove é assim'', reclamou a caixa Joseli de Oliveira. ''Estou só com a água que sobrou no reservatório'', comentou a dona de casa Fabiola França. A Sanepar informou que o problema foi consertado no início da tarde. Também houve rompimento de rede de esgoto, mas operários solucionaram o problema ontem mesmo no Jardim União da Vitória.


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Chuva deixa rastro de destruição em Londrina
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