Chuva deixa 300 desabrigados em Manaus
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quarta-feira, 19 de abril de 2000
Por Síglia Regina 
Manaus, 20 (AE) - Trezentas pessoas que perderam suas casas com a forte chuva ocorrida ontem (19) em Manaus estão abrigadas em escolas e prédios públicos da cidade. Registrada pelo 1º Distrito de Meteorologia do Ministério da Agricultura como a maior chuva dos últimos 33 anos na área urbana da capital do Amazonas, o temporal causou estragos em diversas partes da cidade, com alagamentos e desabamentos.
O coordenador da Comissão de Defesa Civil, coronel Vivaldo Barreto, disse que 300 pessoas foram cadastradas pela prefeitura como desabrigados pela chuva, mas o número é bem maior porque outras pessoas procuraram a casa de parentes. A Defesa Civil registrou o desabamento de 29 casas na Zona Leste, três na Zona Oeste e nove na Zona Sul.
O Corpo de Bombeiros registrou 38 ocorrências entre ontem (19) e hoje (20) pela manhã. Não há registro de mortos. Mas a chuva torrencial comprometeu a estrutura da pista de três das principais vias da cidade, como as avenidas Djalma Batista, Efigênio Sales e Recife, acesso aos bairros da Zona Centro Sul, uma área que abriga tanto residências, quanto shopping e prédios públicos.
Manaus é entrecortada por igarapés que transbordaram com a intensidade da chuva. Os funcionários da Secretaria de Desenvolvimento e Meio Ambiente (Sedema) tiveram que ser retirados do ambiente de trabalho com a ajuda de pequenas lanchas, devido à inundação causada pelo igarapé do Mindu.
O prefeito Alfredo Nascimento suspendeu o ponto facultativo da Quinta-feira Santa, que havia decretado na véspera, para trabalhar nas obras de recuperação de pistas e pontes destruídas
além da assistência aos alagados. Hoje o dia foi de sol em Manaus.
O meteorologista Renato Senna, chefe do 1º Distrito de Meteorologia, disse que a chuva teve origem local e não havia como prever sua intensidade. Senna disse que a instalação de radares pelo Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) irá favorecer as previsões de fenômenos dessa natureza.
O volume foi de 153 mm de chuva durante mais de sete horas. "Essas chuvas são comuns na região, mas não costumam ocorrer em área de muita população; na área urbana as chuvas de grande volume costumam durar pouco tempo", explicou. Senna. A alteração na distribuição da chuva, segundo o meteorologista, pode ter relação com o fenômeno La Niña.


