Chuva de panfletos cobra punição para Sérgio Naya
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sexta-feira, 14 de maio de 1999
Agência Estado 
Quarenta mil panfletos com críticas ao ex-deputado Sérgio Naya foram lançados do alto de um prédio, no centro do Rio, ontem, durante uma manifestação de ex-proprietários de apartamentos do edifício Palace 2, na Barra da Tijuca, que desabou parcialmente no domingo de caranaval do ano passado, matando oito pessoas.
Para chamar a atenção da população, os cerca de 20 manifestantes que pediram a prisão de Naya, levaram para a frente do Fórum oito caixões que simbolizavam as vítimas do desabamento do prédio construído pela empresa Sersan, do ex-deputado.
Durante as manifestações, as atenções se voltaram para Nicole Beatrice, que completará um mês de vida domingo, e mamava tranquila, no colo da mãe Léa de Oliveira, de 32 anos, atual moradora do Hotel Atlântico Sul. Não tenho perspectivas de sair do hotel, disse. Nós dependemos da Justica e Nicole vai participar comigo de todas as manifestações.
A presidente da Associção das Vítimas do Palace, Rauliete Barbosa Guedes, informou que a grande expectativa do grupo, agora, era a possibilidade de levar o processo contra Naya também para os Estados Unidos. Segunda-feira, o grupo se reunirá com o advogado americano Vitor Chapman que já move processos contra Naya em Orlando. Vamos ver se é possível executar, nos EUA, a sentença que já saiu contra Naya, disse o advogado Eduardo Lutz.
Há dois processos contra Naya em andamento. No Rio, a 7ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, em sentença proferida no mês passado, decidiu pelo sequestro dos bens de Naya no Brasil e no exterior. Na área criminal, o Supremo Tribunal Federal ainda não decidiu se o caso será julgado em Brasília (por se tratar de um ex-deputado) ou no Rio. Rauliete Barbosa Guedes contou que há dez dias, em uma viagem à Brasília, tomou conhecimento que o engenheiro da Sersan, Sérgio Murilo disse, em depoimento, que Naya sabia que o prédio poderia cair seis meses antes do desmoronamento. Ele é um assassino e não vamos descansar enquanto ele não estiver na cadeia, disse.


