São Paulo, 14 (AE) - As fortes chuvas, acompanhadas da queda de granizo, que atingiram a cidade no fim da tarde, obrigaram o fechamento do Aeroporto de Congonhas e o Campo de Marte para pousos e decolagens.
A pista Santana-Aeroporto do Túnel do Anhangabaú ficou interditada por meia hora, provocando congestionamento desde a Praça Campo de Bagatelle, em Santana, até a Avenida Washigton Luís, no Aeroporto. Parte dos bairros do Morumbi, Brooklin e Santo Amaro ficaram sem energia elétrica por mais de duas horas.
Na Vila Maria e Vila Clementino o fornecimento foi suspenso às 18 horas e até as 22 horas não havia sido restabelecido. A Avenida Roque Petroni Júnior, no Brooklin, ficou com um metro de água.
As fortes pancadas, acompanhadas por ventos de até 126 quilômetros por hora, que atingiram o município de Registro, no Vale do Ribeira, por volta das 15 horas, se deslocaram rapidamente em direção à Grande São Paulo, segundo o capitão José Luis Frank, da Defesa Civil do Estado.
Escuridão - As nuvens que traziam as chuvas pararam sobre a Avenida Paulista. O céu ficou escuro. Parecia noite. A partir das 16h40, começou a chover. Os primeiros bairros a receber as pancadas fortes foram a Mooca, São Mateus, Aricanduva e Vila Formosa, na zona leste.
Uma hora depois, as chuvas atingiram o Morumbi, Brooklin, Santo Amaro Butantã, na zona sul. Também foram atingidas a região central, Barra Funda, na zona oeste, e Santana e o bairro do Limão, na zona norte.
Granizo - Houve queda de granizo no município de Cotia e nos bairros do Morumbi, Brooklin, Aeroporto e Santo Amaro. O Aeroporto de Congonhas ficou fechado para pousos e decolagens durante meia hora por causa do granizo. Os vôos da Ponte Aérea São Paulo-Rio sofreram atrasos de até uma hora. O Campo de Marte
em Santana, também foi fechado para operações.
Os canteiros centrais e as calçadas das Avenidas Dr. Chucri Zaidan e Luís Carlos Berrini ficaram cobertas de gelo. "Parecia um tapete branco", descreveu o porteiro de uma empresa na Berrini, Severino gomes Lima. "As pedras eram um pouco maior do que uma bolinha de gude", comparou.
A pista Santana-Aeroporto do Túnel do Anhangabaú foi fechada durante 30 minutos, embora não tenha ocorrido inundação. Bombeiros, equipados com roupas de mergulho e botes infláveis, permanceram no local para atender a qualquer emergência. Também choveu nos municípios de Miracatu, Pedro de Toledo, Juquitiba, São Lourenço da Serra, Embu e Taboão da Serra.
Shopping - Quando começou o temporal na Avenida Faria Lima, centenas de sem-teto faziam uma manifestação em frente à Secretaria da Habitação. O saguão já estava lotado. Os que conseguiram, espremeram-se sob a marquise. Para a maioria, foi a hora de bater em retirada. "Está chovendo pedra!", assustou-se a faxineira Maria Auxiliadora de Jesus. "Foi o Mário Covas que mandou chover."
Com a chuva inesperada, todos ficaram sem-teto. Pontos de ônibus e bares ficaram lotados. "Vou comprar lingerie", decidiu a dentista Valéria Duarte, entrando no Shopping Iguatemi. Ela foi apanhada de surpresa ao sair do consultório, sem capa e sem guarda-chuva. "Estava precisando e não tinha tempo para comprar."
O médico Luis Freitas, residente na Rua Galipós, na Vila Mariana, ficou impedido de sair de seu prédio devido a falta de energia. "Preciso visitar pacientes internados e não posso sair
pois o portão é eletrônico", disse o médico.
O advogado Mohamad Dib, residente na Rua Marinque, no mesmo bairro, não podia utilizar os elevadores. "Depois que foi privatizada, a Eletropaulo ficou mais ineficiente", reclamou.

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