São Paulo, 01 (AE) - Quarenta minutos de chuva intensa, acompanhada de granizo, foram suficientes para transformar o centro de São Paulo num caos. Verdadeiros rios corriam pelas Avenidas 23 de Maio e 9 de Julho em direção aos túneis do Vale do Anhangabaú. O Túnel do Anhangabaú começou a alagar a partir das 15h45, assim como a Passagem Subterrânea Tom Jobim. Cerca de cem pessoas ficaram presas dentro de carros e ônibus . O Rio Tietê transbordou sob as Pontes da Casa Verde e Aricanduva, parando a Marginal.
Na Praça 14 Bis, vários carros boiavam em mais de 1 metro de água e batiam uns nos outros. A situação repetiu-se na Praça da Bandeira, onde o terminal de ônibus foi interditado. O trecho entre as Estações Sé e Barra Funda da Linha Leste-Oeste do metrô teve de ser interditado desde as 15h58 porque os trilhos ficaram submersos, assim como os da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
A ligação entre as Estações Júlio Prestes e Barra Funda ficou interditada das 15h15 às 16h45 e entre Luz e Barra Funda das 15h30 às 17 horas. As ruas próximas ficaram alagadas, impedindo o acesso de passageiros. Em outros pontos, formaram-se dezenas de alagamentos intransitáveis, muitos com mais de 1 metro de água, e o rodízio municipal foi suspenso.
"Na região central choveu 118 milímetros em apenas duas horas, o que só ocorre a cada cem anos", afirmou o engenheiro Paulo Taliba, coordenador do Programa de Manutenção de Túneis da Prefeitura. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet)
o último recorde ocorreu em 11 de março de 1994, quando, em 24 horas, choveu 106,2 mm.
Piscinão - Pela primeira vez, o Piscinão do Pacaembu transborbou, alagando a Avenida Pacaembu. A chuva também inundou o terceiro subsolo da Câmara Municipal, onde os seis elevadores foram desligados por precaução.
A Ligação Leste-Oeste, sob a Praça Roosevelt, no acesso do Elevado, e a Baixada do Glicério, no acesso à Ligação Leste-Oeste, ficaram alagadas. Sob os viadutos da Avenida Liberdade e Galvão Bueno, cerca de 40 motoqueiros estacionaram na calçada para fugir da chuva. Um motorista sentou-se na capota de seu carro na Rua Frederico Steidel. Outros quatro veículos foram tomados pelas águas. A enxurrada invadiu a sede do Conselho Comunitário de Segurança. "A água subiu a quase 1 metro e meio", disse Sueli Alves Marques, assessora de Imprensa do conselho. "Salvamos computadores e móveis levando-os para cima."
Protestos - Enquanto isso, na zona leste, ocorriam duas manifestações de moradores revoltados com as constantes enchentes. Cerca de 200 deles interditaram, às 15h30, a Rua Cordão de São Francisco, na Vila Aimoré, no Itaim Paulista. Na Estrada de Poá, em Guaianases, moradores atearam fogo a pneus e restos de móveis pelo terceiro dia consecutivo.
Também choveu forte na região do ABC. Segundo os bombeiros, as duas cidades mais atingidas foram São Bernardo e São Caetano. Em São Bernardo, a Defesa Civil registrou 30 ocorrências sem vítimas e o trânsito esteve complicado, com vários carros submersos.

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