São Paulo, 13 (AE) - Deve continuar a chover nos próximos dois dias na região do Sistema Anchieta-Imigrantes, principalmente no trecho de serra, onde já houve a queda de sete barreiras, entre os kms 37 e 52, desde sexta-feira. Segundo a meteorologista Patrícia Madeira, da empresa Climatempo, o tempo ficará nublado, com chuva fraca e contínua. "O quadro é de grande risco, pois, com a continuidade da chuva e o aumento de água no solo, aumentam as possibilidades de novas quedas de barreira na região da Serra do Mar", afirmou Patrícia. Ela informou que o tempo continua chuvoso na região em razão da presença de áreas de instabilidade, que são reforçadas pela aproximação de novas frentes frias.
De acordo com a medição do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), da madrugada de sábado até a meia-noite de ontem (12), houve uma precipitação pluviométrica - chuva acumulada - de 317 milímetros na região da Serra do Mar. De acordo com o geólogo Agostinho Ogura, do IPT, somente 100 mm, em dois dias, seriam suficientes para causar o problema.
Essa quantidade de chuva provocou uma instabilidade no maciço da serra, o que provocou os vários deslizamentos na região. A Defesa Civil do Estado pretende manter o Estado de Atenção na região da Baixada Santista e nos trechos de serra próximos de Cubatão até amanhã (14) à tarde, quando os técnicos do órgão devem avaliar a situação de risco.
Bairros-cota - Os moradores dos bairros que ficam à margem da Rodovia Anchieta mal sentiram a interdição da pista sul. Um acordo com a concessionária da estrada permite que eles utilizem a pista mesmo durante o período de interdição. Hoje fazer o percurso até os municípios da Baixada Santista foi um pouco mais complicado do que nos dias normais, por causa do aumento do número de veículos na pista norte, que descia ao litoral, e da chuva fina que obrigava o motorista a ter mais cautela e a reduzir a velocidade. A volta para casa também foi incomum. Sem nenhum carro na pista sul, os moradores tiveram pista livre para subir.
Líder comunitário do Bairro-Cota 400 - nome dado de acordo com o nível das casas em relação ao mar -, o funcionário público Daniel Flávio de Oliveira, de 44 anos, voltou do trabalho, em Cubatão, sem encontrar trânsito, mas com preocupação. De acordo com ele, nessas circunstâncias, há o risco de se encontrar motoristas trafegando em direção ao litoral. "É um perigo", disse. "Agora, problema de acesso não temos nesses dias."

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