A chuva forte que atingiu São Paulo ontem à tarde provocou alagamentos em praticamente toda a cidade, deixou a região central completamente ilhada, virou carros de ponta-cabeça, voltou a provocar desabamentos e fez com que a Defesa Civil Municipal decretasse estado de emergência.
Até as 20 horas, o Corpo de Bombeiros confirmava pelo menos uma morte em um desabamento envolvendo vários barracos, no Jardim Miriam (zona sul). Seis pessoas teriam sido soterradas. Apenas uma já havia sido socorrida com vida e levada para o hospital. Dez carros de bombeiros permaneciam no local tentando recuperar outras vítimas. Uma mulher também teria sido arrastada pela enchente no Córrego Pirajussara e ainda não havia sido localizada pelos bombeiros.
O túnel do Vale do Anhangabaú voltou a ficar submerso, com vários carros boiando. Os motoristas foram retirados de dentro de seus carros pelos bombeiros. Até as 19 horas, não havia informações sobre vítimas. De acordo com o coordenador do programa de manutenção de túneis da prefeitura, Paulo Taliba, as bombas instaladas para retirar a água do túnel estavam funcionando, mas não deram conta do volume de água que descia como um rio das avenidas 9 de Julho e 23 de Maio, arrastando vários carros e provocando colisões.
A maior intensidade da chuva ocorreu entre 14h30 e 18 horas. Segundo a prefeitura, no centro, foi registrado 118 mm em duas horas. A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) registrou pontos de alagamento nos principais corredores da cidade.
A pista expressa da marginal Tietê foi interditada nos dois sentidos próximo à ponte da Casa Verde e no sentido Lapa-Penha, junto à ponte Aricanduva. Junto à ponte da Anhanguera, a marginal Tietê estava completamente bloqueada: nas duas pistas e nos dois sentidos. O trânsito na marginal Tietê fez com que o fluxo de veículos no sentido interior-capital da rodovia Castelo Branco tivesse de ser desviado no quilômetro 16 para a marginal Pinheiros.
Havia alagamentos também na Radial Leste, avenida do Estado, 23 de Maio, Ligação Leste-Oeste, Rangel Pestana, entre outros. O congestionamento às 19h30 chegou a 120 km.
O bairro de Campos Elíseos (região central) foi um dos mais atingidos. A água chegou ao capô dos carros, que eram arrastados pelas águas e chegaram a virar. O volume de água que corria pelas ruas fez com que a operação do trecho Sé-Barra Funda, na linha leste-oeste do metrô, tivesse de ser interrompida.
Segundo a assessoria de imprensa do Metrô, a água das ruas estava invadindo as estações e impedindo seu funcionamento. A previsão era de que o metrô voltasse a funcionar por volta de 21 horas.
Um muro cedeu na Secretária de Segurança Pública fazendo com que duas viaturas caíssem no quintal das casas vizinhas, que ficavam um nível abaixo.
Dois deslizamentos de terra também ocorreram na rua Barata Ribeiro e na Plínio Barreto, próximo à avenida 9 de Julho. Não houve feridos.
A Defesa Civil Estadual havia registrado de 7 de janeiro até ontem 21 mortes no Estado. Entre dezembro de 1997 e abril de 1998, foram registradas 25 mortes no Estado por causa de chuvas.

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