Chuva causa estragos pela cidade
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segunda-feira, 04 de fevereiro de 2013
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Muitos londrinenses acordaram durante a madrugada de domingo assustados com a chuva e o vendaval que atingiram a região. Os ventos chegaram a cerca de 80 km/h entre 4h e 6h. Logo de manhã, os prejuízos eram visíveis. De acordo com o Corpo de Bombeiros de Londrina, foram cinco quedas de árvores na cidade e dois destelhamentos. Nenhuma árvore caiu sobre as residências e não houve vítimas. O mau tempo também provocou o cancelamento de dois voos no início da tarde por falta de visibilidade; ambos vinham de Curitiba. O aeroporto chegou a fechar pela manhã, mas reabriu e continuou operando os voos por aparelhos durante todo o dia.
A recicladora Silvana Pereira de Oliveira, de 47 anos, estava inconformada com os estragos que a chuva causou em sua residência, na zona sul da cidade. Grande parte do telhado desabou. "Já morei em barraco de lona, mas nunca me aconteceu isso. É terrível", lamenta, ao apontar os móveis encharcados pela água.
Ela que mora com o filho Maicon Pereira de Oliveira, 16, no Conjunto União da Vitória, foi surpreendida pela chuva às 3h30. "Começou a pingar por toda a casa e meu filho que dorme na parte de cima da beliche, conseguiu segurar parte do telhado para que a gente conseguisse sair à tempo antes de tudo cair", conta.
Os dois correram para a rua para se proteger e o adolescente saiu correndo e permanece desaparecido. "Ele tem problemas mentais e ficou muito confuso. Quando vi, ele já tinha sumido. Quero recuperar tudo, mas o mais importante é encontrá-lo", revela Silvana, que já comunicou o fato à polícia.
No Parque das Indústrias, bairro vizinho, uma árvore caiu e derrubou um posto de luz instalado no quintal de Edvaldo Soleira de Rodrigues, de 34 anos. Ele, a esposa e os quatro filhos acordaram com o barulho da queda. "O vento foi muito forte. Estamos até agora sem energia. Os bombeiros estiveram aqui para liberar a passagem na rua, mas o poste deverá ser consertado pelo proprietário do imóvel", afirma.
No Conjunto Cafezal, a força dos ventos arrancou uma árvore pela raiz. "Tive sorte por ela não cair sobre a minha casa", desabafa Vandressa dos Santos, de 26 anos, que mora com o filho de 6 anos. Os dois estavam dormindo quando foram acordados pelo barulho. "Não tive coragem de ir até o quintal porque a árvore puxou os fios de energia e causou alguns estouros", conta.
Vandressa conta que a árvore já estava condenada por conta dos cupins. "Solicitei o corte há uns três meses porque eu sabia que uma hora ela ia cair", ressalta. A retirada e a poda das árvores deve ser feita ainda hoje pela Secretaria do Meio Ambiente. Além dessas ocorrências, dois postos de combustíveis estão com a estrutura comprometida. Na Avenida Lucílio de Held, no Jd. Coliseu, parte do teto desabou às 4h e o local foi interditado pelos bombeiros. Já na Vila Yara, o posto de combustível à beira da Avenida Brasília, estava apenas com a parte danificada interditada e manteve o atendimento ao público.
O Instituto Tecnológico Simepar indicou que já choveu cerca de 90 milímetros de água da madrugada de domingo até o início da tarde ontem. A quantidade não é considerada alta, mas o problema seria a frequência constante. A previsão é de que a semana comece com tempo instável, tendo possibilidades de chuvas isoladas no período da tarde de hoje. A frente fria que causou a mudança no tempo e diminuiu a temperatura deve ir embora à noite deixando o clima mais ameno nos próximos dias.
O coronel Rubens Guimarães, secretário de Defesa Social e coordenador da Defesa Civil, adiantou que uma reunião está marcada para amanhã com todas as autarquias e entidades ligadas à Defesa Civil. "Vamos estruturar todo o sistema e processo da secretaria para viabilizar as atividades, bem como estabelecer uma comissão que responderá à Coordenadoria Estadual de Defesa Civil." Londrina ainda não possui um plano municipal de redução de riscos, documento este necessário para diminuir os impactos e danos causados pelos desastres, sobretudo os naturais. (Colaborou Marian Trigueiros)


